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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Resposta de um "Privilegiado"

No passado sábado dia 18 de Agosto o Diretor-Adjunto do Expresso, João Vieira Pereira, assina no seu bloco de notas uma crónica intitulada “Privilégios e Privilegiados”. A mesma é dedicada aos trabalhadores da CGD. Como membro ativo desse grupo considero que devo responder à mesma.

 

Logo à partida interessa relembrar que todos os trabalhadores da Caixa são contribuintes. Nessa medida poderão ser considerados duplamente penalizados. Mas eles não pretendem ser medidos por uma qualquer escala de ofensas ou queixas. Os trabalhadores da CGD, e não colaboradores termo que se tem forçado como seu sinónimo mas que não o é, pretendem tão-somente ser respeitados. E isso passa em larga medida pelo reconhecimento do seu trabalho e dos seus direitos (que não são privilégios).

 

O articulista demonstra estar totalmente desfasado da realidade quando aborda a temática do crédito mal concedido. Aconselho-lhe a leitura dos livros “Caixa Negra” ou “Quem Meteu a Mão na Caixa” da autoria dos seus colegas Diogo Cavaleiro e Helena Garrido, respetivamente, para perceber como funcionavam os grandes créditos que geraram as maiores imparidades na CGD.

 

Apesar de não ser dirigente sindical não percebo onde foi desencantada a ideia de que o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD defende que é o contribuinte que deve pagar os prejuízos da Caixa… Nunca ouvi semelhante coisa ser dita ou sequer sugerida. Aliás, como trabalhador da CGD, e cumpridor dos meus deveres de contribuinte, defendo que sejam escrutinadas todas as ocorrências passíveis de responsabilidade criminal. Estou certo que o sindicato pensará da mesma forma.

 

O cronista passa também a ideia de que os Acordos de Empresa em vigor na CGD JVP.jpg(sim, Acordos de Empresa, porque são vários) são altamente favoráveis para os trabalhadores, como se tal constituísse um enorme delito. Certas pessoas alinham numa doutrina em que o denominador comum deve ser a aceitação de limites mínimos. Isso é particularmente grave quando essas pessoas têm funções de responsabilidade na área do jornalismo, pois dessa forma “envenenam” a opinião pública com a sua retórica. A ideia é que aquele que trabalha e exerce funções mais ou menos indiferenciadas deve receber o mínimo possível, sendo condenado eternamente a uma situação de penúria. Ao olharmos para a apresentação pessoal de João Vieira Pereira no site do Expresso não ficamos admirados com esta linha ideológica.

 

Relativamente à questão da aposentação poder ser requerida a partir dos 60 anos, o autor esquece-se de dizer que existem mais pressupostos para além da idade e que, acima de tudo, a CGD tem um fundo de pensões próprio para o qual os trabalhadores descontam. Fundo esse a que o outrora ministro das finanças Bagão Félix recorreu para ajudar Portugal a cumprir as metas do défice estipuladas por Bruxelas, aliviando assim as exigências que poderiam recair sobre os contribuintes.

 

Quanto ao programa de pré-reformas, o mesmo foi instituído pela Comissão Executiva da CGD (CE) no sentido de reduzir o número de trabalhadores na empresa. De referir que a sua aceitação implica uma diminuição assinalável do rendimento mensal.

Paulo_MAcedo-Expresso.jpg

Apesar de discordar da globalidade da crónica, concordo plenamente no papel que a Caixa deve ter no apoio às PME. Esse deveria ser um dos focos primordiais do banco público. Ser fomento da economia e fator de coesão territorial, abrangendo também os locais mais isolados, bem como a diáspora portuguesa. Como parte do sector empresarial do Estado, a CGD deve prestar um serviço público que vai muito para além do “ganhar dinheiro”. Mas essa orientação é uma decisão exclusiva da CE. Os trabalhadores cumprirão o estipulado superiormente.

 

Os trabalhadores têm plena consciência que são parte da solução e sempre o foram nos 142 anos de história da instituição, podendo desempenhar um papel muito mais profícuo se deixarem de ser constantemente atacados na praça pública, ora pela CE, ora pela maioria dos meios de comunicação. Agora não peçam é aos trabalhadores da CGD para continuarem a ser complacentes perante uma situação que se arrasta há tempo demais. Também nós temos legítimas expetativas e ambições. E se estamos acima da média, ainda bem! Que sejamos exemplo para o restante setor bancário e para os trabalhadores na sua generalidade.

 

Miguel Dias

Trabalhador da CGD

(o presente texto foi remetido para o Expresso)

Nota: as imagens utilizadas foram retiradas do site do Expresso

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