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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Momentos #caradepau da oposição

Rui-Rio-e-assuncao-cristas.jpg

 

 

Diz Pedro Abrunhosa que ninguém sai de onde tem paz. Ninguém, é exagero, mas a maioria tenta ficar perto do conforto da família, dos amigos, da zona conhecida.

A partir de 2011 muita gente perdeu o sono e a paz e teve de sair. Não havia outra forma, o cinto não tinha mais buracos para apertar e Pedro Passos Coelho anunciava a saída como uma nova oportunidade.

 

Sócrates inventou as novas oportunidades académicas, Passos Coelho teve de inventar a sua própria versão de novas oportunidades.

O Governo actual inventou mais uma daquelas medidas que na melhor das hipóteses parecem giras, mas na prática resulta em nada. Redução de 50% em sede de IRS? Que raio de medida é essa?

 

Mas se a medida da geringonça é uma franca idiotice, pior fica a oposição que depois de promover a nova oportunidade de saída, vem agora reclamar que a proposta do PS-Governo é manifestamente insuficiente.

Mas um momento #caradepau

A Normalidade da Comissão Executiva e a Passividade Anormal da Imprensa

A Comissão Executiva da CGD (CE) considerou que no dia de ontem, 24 de Agosto de 2018, tudo correu com normalidade. Sem nunca o dizer quis demonstrar que não estava minimamente preocupada com a greve em marcha e a concentração à porta da Sede da Avenida João XXI, em Lisboa. Talvez por isso a CE tenha convocado os jornalistas para uma conferência de imprensa pelas 11h30, precisamente a hora para a qual estava marcado o início do protesto dos trabalhadores…

As declarações ficaram a cargo da Dr.ª Maria João Carioca, administradora executiva da CGD. E foi confrangedor assistir à passividade da imprensa, que decidiu não “incomodar”, optando por não colocar questões óbvias e pertinentes. O vídeo que podem encontrar neste link – https://sicnoticias.sapo.pt/economia/2018-08-24-CGD-diz-que-prestacao-de-servicos-decorre-com-normalidade-apesar-da-greve – é meramente exemplificativo, pois é uma versão editada da conferência.

Logo à partida, nenhum jornalista questiona o porquê da presente conferência de imprensa ter sido convocada precisamente para a mesma hora do protesto dos trabalhadores. Pergunta mais que óbvia e que ficou por fazer.

No decorrer das suas declarações, a administradora executiva afirmou que às 10 horas da manhã tinham sido processadas mais de 800 mil operações realizadas pelos clientes. Evidentemente que não existem razões para duvidar deste número. Mas a pergunta que se impunha seria: dessas operações quantas foram feitas de forma automática e informática, ou seja, através da rede Multibanco, Caixas Automáticas ou Caixa Direta Online? Depois disso é avançado o número de 30% como percentagem de adesão à greve (significativo, partindo da própria CE). Questão lógica: o que é que isso significa em termos de agências, ou seja, qual o número de balcões encerrados?

Embora não apareça neste pequeno vídeo, a Dr.ª Maria João Carioca põe em causa a racionalidade dos motivos dos trabalhadores para encetar uma greve, o que fica sempre bem… Nenhum jornalista se lembrou de questionar se o facto dos trabalhadores não verem aumentos desde 2010, terem sofrido cortes salariais no período em que o país foi intervencionado, terem visto a sua carreira congelada durante 4 anos e agora estarem perante a denúncia efetiva dos Acordos de Empresa (AE), a maioria dos quais com pouco mais de 2 anos (ou seja, bastante recentes), onde a proposta apresentada pela CE se consolida num retrocesso civilizacional claro, não são motivos racionais mais que suficientes para os trabalhadores da Caixa se sentirem indignados e optarem por avançar para uma legítima greve.

As únicas perguntas que se registaram estiveram relacionadas com as promoções ou os prémios pagos aos trabalhadores. A administradora faz questão de dizer que esse é um processo normal na CGD. Pois é. E sabem porquê? Porque são situações que se encontram previstas na contratação coletiva! Aliás, em tempos a participação de lucros era uma prática usual na CGD, estando ainda referida nos AE, apesar de agora ter um critério opcional. Mas esta administração decidiu adulterar esse princípio e passar a chamar prémio de desempenho, para dessa forma poder escolher a dedo quem recebe o prémio e qual o montante atribuído a cada pessoa. Também é dito pela Dr.ª Maria João Carioca que querem reconhecer o mérito, pelo que as promoções e prémios são atribuídos após o fecho da avaliação de desempenho do ano de 2017. Mas ninguém se lembrou de perguntar se era normal estarmos no final do mês de Agosto e só agora estar a ser finalizado o processo de avaliação de desempenho do ano transato?

No meio de todos as banalidades daquela conferência de imprensa, a Dr.ª Maria João Carioca avança também a ideia de que a denúncia dos AE e a redução de direitos dos trabalhadores é imperativa para a sustentabilidade da Caixa. Nessa altura, surge a única pergunta pertinente naquela conferência de imprensa, de um jornalista que, por lapso de memória, não me consigo recordar de que órgão de comunicação. A questão era sobre a poupança estimada pela Administração da CGD com a denúncia dos AE. Resposta da Administradora Executiva: não temos essas contas feitos. Perdão?! Se não têm as contas feitas, como é que conseguem afirmar que é imperativo negociar um novo AE a bem da sustentabilidade da CGD? Infelizmente nenhum jornalista pegou nesta questão e seguiu esta linha de raciocínio.

Como trabalhador da CGD é que não pretendo mais ficar a assistir na plateia a um filme no qual deveria ser personagem principal. Recuso ficar numa atitude passiva e denuncio como falsas a normalidade e a paz social propaladas pela CE. Ser conivente com o atual rumo é colocar em causa o futuro da instituição. Porque, tal como a CE, também pretendo uma Caixa sustentável e com futuro, mas cumprindo o seu papel de banco público e respeitando os seus trabalhadores.

Resposta de um "Privilegiado"

No passado sábado dia 18 de Agosto o Diretor-Adjunto do Expresso, João Vieira Pereira, assina no seu bloco de notas uma crónica intitulada “Privilégios e Privilegiados”. A mesma é dedicada aos trabalhadores da CGD. Como membro ativo desse grupo considero que devo responder à mesma.

 

Logo à partida interessa relembrar que todos os trabalhadores da Caixa são contribuintes. Nessa medida poderão ser considerados duplamente penalizados. Mas eles não pretendem ser medidos por uma qualquer escala de ofensas ou queixas. Os trabalhadores da CGD, e não colaboradores termo que se tem forçado como seu sinónimo mas que não o é, pretendem tão-somente ser respeitados. E isso passa em larga medida pelo reconhecimento do seu trabalho e dos seus direitos (que não são privilégios).

 

O articulista demonstra estar totalmente desfasado da realidade quando aborda a temática do crédito mal concedido. Aconselho-lhe a leitura dos livros “Caixa Negra” ou “Quem Meteu a Mão na Caixa” da autoria dos seus colegas Diogo Cavaleiro e Helena Garrido, respetivamente, para perceber como funcionavam os grandes créditos que geraram as maiores imparidades na CGD.

 

Apesar de não ser dirigente sindical não percebo onde foi desencantada a ideia de que o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD defende que é o contribuinte que deve pagar os prejuízos da Caixa… Nunca ouvi semelhante coisa ser dita ou sequer sugerida. Aliás, como trabalhador da CGD, e cumpridor dos meus deveres de contribuinte, defendo que sejam escrutinadas todas as ocorrências passíveis de responsabilidade criminal. Estou certo que o sindicato pensará da mesma forma.

 

O cronista passa também a ideia de que os Acordos de Empresa em vigor na CGD JVP.jpg(sim, Acordos de Empresa, porque são vários) são altamente favoráveis para os trabalhadores, como se tal constituísse um enorme delito. Certas pessoas alinham numa doutrina em que o denominador comum deve ser a aceitação de limites mínimos. Isso é particularmente grave quando essas pessoas têm funções de responsabilidade na área do jornalismo, pois dessa forma “envenenam” a opinião pública com a sua retórica. A ideia é que aquele que trabalha e exerce funções mais ou menos indiferenciadas deve receber o mínimo possível, sendo condenado eternamente a uma situação de penúria. Ao olharmos para a apresentação pessoal de João Vieira Pereira no site do Expresso não ficamos admirados com esta linha ideológica.

 

Relativamente à questão da aposentação poder ser requerida a partir dos 60 anos, o autor esquece-se de dizer que existem mais pressupostos para além da idade e que, acima de tudo, a CGD tem um fundo de pensões próprio para o qual os trabalhadores descontam. Fundo esse a que o outrora ministro das finanças Bagão Félix recorreu para ajudar Portugal a cumprir as metas do défice estipuladas por Bruxelas, aliviando assim as exigências que poderiam recair sobre os contribuintes.

 

Quanto ao programa de pré-reformas, o mesmo foi instituído pela Comissão Executiva da CGD (CE) no sentido de reduzir o número de trabalhadores na empresa. De referir que a sua aceitação implica uma diminuição assinalável do rendimento mensal.

Paulo_MAcedo-Expresso.jpg

Apesar de discordar da globalidade da crónica, concordo plenamente no papel que a Caixa deve ter no apoio às PME. Esse deveria ser um dos focos primordiais do banco público. Ser fomento da economia e fator de coesão territorial, abrangendo também os locais mais isolados, bem como a diáspora portuguesa. Como parte do sector empresarial do Estado, a CGD deve prestar um serviço público que vai muito para além do “ganhar dinheiro”. Mas essa orientação é uma decisão exclusiva da CE. Os trabalhadores cumprirão o estipulado superiormente.

 

Os trabalhadores têm plena consciência que são parte da solução e sempre o foram nos 142 anos de história da instituição, podendo desempenhar um papel muito mais profícuo se deixarem de ser constantemente atacados na praça pública, ora pela CE, ora pela maioria dos meios de comunicação. Agora não peçam é aos trabalhadores da CGD para continuarem a ser complacentes perante uma situação que se arrasta há tempo demais. Também nós temos legítimas expetativas e ambições. E se estamos acima da média, ainda bem! Que sejamos exemplo para o restante setor bancário e para os trabalhadores na sua generalidade.

 

Miguel Dias

Trabalhador da CGD

(o presente texto foi remetido para o Expresso)

Nota: as imagens utilizadas foram retiradas do site do Expresso

Dialogar com quem não dialoga não é democrata, é estupido.

imagem popper.png

 

Façam o seguinte exercício: estão numa rua de Lisboa, à noite, e um indivíduo chega ao pé de vós para vos assaltar. O intuito é claro, o indivíduo diz “ passa para cá carteira”. Nessa altura, dialogam ou entregam a carteira? Provavelmente a segunda hipótese. Mas não teriam preferido que um polícia estivesse atento e este episódio nunca tivesse ocorrido? Agora, apliquem este exemplo a Marine Le Pen. Se o policia aqui desempenhar o “terrível” papel do politicamente correto, então a sua ação preventiva será eficaz a médio e curto prazo. Como Popper tão bem explicou “tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes “. Popper sabia bem do que falava quando escreveu estas frases em 1945. O espaço dado aos fascismos, o palco mediático que lhes foi dado, contribuiu para que ideias intolerantes abafassem a tolerância dos que a ouviam. É um paradigma que devemos aplicar a Marine Le Pen: até que ponto a nossa tolerância não abre o caminho para que as ideias de intolerância de Marine e seus compinchas sejam disseminadas? Devemos dialogar e tentar entender as razões de quem nos quer assaltar ou devemos agir preventivamente para que o assalto não ocorra?

 

Felizmente, e por bastante pressão mediática, o convite a Le Pen foi retirado e Marine perdeu uma oportunidade de ouro de branquear o seu discursar e espalhar as suas ideias intolerantes e xenófobas. Mas se a história do século XX não foi suficiente para nos alertar sobre o que é a extrema-direita, os seus perigos e a suas consequências, hoje, 16 de Agosto de 2018, mais de 300 jornais norte-americanos uniram-se, publicando editoriais a favor da liberdade de imprensa e contra a retórica de Trump. Quase dois anos a pós a eleição, Trump não se moderou, não dialogou e atacou a imprensa constantemente. Talvez, apenas talvez, se o politicamente correto tivesse sido tão atacado, talvez, só talvez, a democracia americana não estivesse hoje em perigo.

 

Vale a pena ler o editorial do NYTimes. E vale a pena pensar que a democracia é a mais frágil das nossas conquistas e que toleramos quem dialoga mas reerguemos e reergueremos muros contra a intolerância. No passaran.

 

https://www.nytimes.com/interactive/2018/08/15/opinion/editorials/free-press-local-journalism-news-donald-trump.html