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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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O Erro do PAN

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Podemos olhar para a história do Homem por duas vias, ou pelos actos de bravura e heroísmo ou pela completa parvoíce e não se pense que estão tão longe quando isso uma da outra, às vezes, talvez boa parte das vezes, a bravura, heroísmo e parvoíce tornam-se sinónimos.

Ora deixando cair o H maiúsculo do Homem, ficamos só com o homem e isso já é indicativo que diminui da letra, mas aumenta o índice de problemas associados.

Olhamos para a mitologia e Hercules surge-me na mente como o máximo representante do homem de H pequeno. Dão-lhe um toque de divindade, mas a parvoíce é bem terrena, uma demonstração de capacidades a que chamam de virilidade através de actos de parvoíce a que chamam de heróicos, mas que resulta com frequência na morte antecipada. Não era homem suficiente, diriam os seus contemporâneos. Ah, pois, isso continua a acontecer.

 

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A competitividade é algo que nos está no ADN e isto não é uma espécie de desculpa para tudo, é efectivamente o que nos permitiu chegar aqui da forma que chegámos e não de outra, porque na competição com outras espécies, as nossas estratégias foram estas e não outras. O que temos de melhor? Nada. O que temos de diferente? O modo de pensar e projectar no futuro.

Só que há coisas em que somos só animais e competimos por tudo e com tudo. É isso que justifica o Livro dos Recordes do Guiness. Tudo serve para competir e/ou para justificar a parvoíce.

Ora da mesma forma que Hercules foi matar o Leão de Nemeia, nós desafiamos a vida ao enfrentar outros animais. Tirando Hercules que regressou vivo, não há assim registo de homens que tenham conseguido, sem ser por sorte, sobreviver a leões e como tal é melhor desafiar coisas mais desafiáveis como atravessar brasas descalço ou enfrentar herbiveros de porte consideravel.

 

Mais dia menos dia, todos os animais que partilham o mesmo habitat acabam por se cruzar e a poder de milhares de anos, acabam por criar estratégias ou de predação ou de sobrevivência.

O Homem não é excepção e não será por acaso que o gado vacum foi domesticado e os touros foram usados, não para entretenimento, mas para treino militar. Touros que não sendo predadores, não têm interesse nenhum em nos atacar a não ser que sejam atiçados para o fazer ou para se defenderem ou ambas.

É fácil perceber que um animal que não tem intenção de atacar, está ali disponível e tem um porte considerável, seria usado para que o homem de H pequeno fizesse de conta que é bravo e forte. Ninguém faz a mesma brincadeira com um cão que apesar de ter sido domesticado e ser menor, é um predador e ataca e mataria com muito mais facilidade e velocidade.

Bom, ali para a idade média aparece um formato semelhante à tourada actual. Os nobres usavam touros para o treino militar e o escudeiro ia atrás, obviamente apeado.

Há pouco tempo vi um artigo que dizia que as peças de roupa usadas por Kate Middleton, princesa britânica, mesmo que fossem da C&A, depois de aparecerem nas revistas, começavam a vender como pãezinhos quentes.

Ora se os nobres enfrentavam touros, a plebe teria de fazer o mesmo e se não há cavalos e os burros são muito lentos, que se faça a pé.

Às páginas tantas, entra ali a renascença, em França a tourada passa a ser considerada como uma bizarria pouco digna do Homem, o do H grande, e com os Bourbon na casa Real Espanhola, a nobreza deixa de usar os touros em treinos ou divertimentos taurinos.  O povo não entendeu a coisa da mesma forma e a vedeta da tourada, em Espanha, passou a ser o toureiro apeado na figura do matador.

Em Portugal as coisas foram diferentes. Estávamos longe o suficiente de França e tudo demora a cá chegar. Alias, a ideia de espectáculo indigno nunca cá chegou nem a nobres nem à plebe. Até hoje, o cavaleiro continua a ser a estrela maior da tourada e o toureio apeado, o forcado, um entretenimento entre cavaleiros.

O homem do H pequeno continua a falar de bravura ao enfrentar um animal que não tem qualquer tipo de interesse em enfrentar homens de H pequeno ou grande.

Ainda que a história da tauromaquia seja interessante, não é tão interessante que grupos de pessoas não consigam compreender o que se compreendeu em França há 300 anos, que a tourada é algo de um passado selvagem e sem capacidade para mais.

Será o mesmo que dizer que um grupo de pessoas continua a ir defecar ao mato e por muito que se explique que há espaços próprios para o efeito e um ritual de higiene, essas pessoas são incapazes de compreender e dar o passo em frente. Continuam a cagar no mato.

Desculpem a crueza das palavras, mas não sei como hei-de explicar melhor que há coisas que perdem o seu prazo de validade e deviam ter o seu interesse apenas num museu.

 

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O PAN avançou com a ideia de proibir tudo e o PAN tem um problema de falta de memória, mais que isso, falta de investigação sobre as coisas da vida. São cegos como cavalos com palas, como touros em frente a uma capa vermelha. Em Portugal as touradas foram proibidas e o povo insurgiu-se contra a proibição. Ao fim de uns meses a tourada foi reposta, acabou apenas o touro morto em arena.

Os outros partidos sabem que votar a favor custa votos e se a zona de touradas fosse numa zona de predominancia de direita... mas não é e portanto é melhor não comprometer. 

Aprende-se que antes de proibir, é preciso mudar a mentalidade e se hoje, criamos a ideia de animais muito fofinhos e por isso embarcamos em ideias muitas vezes peregrinas do PAN, e são peregrinas por falta de estruturação e base cientifica, a verdade é que a luta entre espécies é tão antiga como a historia da vida, o confronto entre homens e animais é tão antiga como a historia da humanidade e os animais foram até há pouco tempo ou problemas, ou caça ou de utilidade ao Homem e a questão da sua fofura não era sequer considerada.

O touro não é exactamente um animal fofo e é preciso muita ginástica para fazer a vaca que ri parecer fofa, mas a malta que defende as touradas diz que o touro passa o tempo contente e feliz nos campos até que chega o seu dia.

Imagina que te dizem que irás viver 5 anos como tu gostas e nas últimas 24 horas serás um cristo. Arrancam-te da tua casa à força, enfiam-te numa caixinha onde não te possas mover, humilham-te ao cortarem-te as tuas defesas, levam-te preso num transporte, sabe.se la para onde, enfiam-te para um espaço cheio de gente aos gritos mas de onde não podes fugir, espetam-te ferros que dizem que não dói nada mas fazem sangrar e que eu me lembre tudo o que faz sangrar dói, e espetam mais uma e outra vez, a pé, a cavalo e no fim, voltam a enfiar-te numa caixinha e matam-te com uma pancada na cabeça.

Sabendo disto, preferias nunca ter nascido ou cinco anos normais pagam bem um dia de massacre e consequente morte?

 

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Propor a proibição tem a vantagem de trazer as questões para a praça publica, por outro lado, é um tocar a rebate, um reunir de todos os que de alguma forma gostam de tourada a cerrar fileiras para não deixar acabar a tourada.

O que se devia de facto fazer? Bloquear TODOS os fundos públicos que de forma directa ou indirecta possam ser usados para sustentar as touradas.

A tourada tem um custo elevado e se não for patrocinado pelo dinheiro de todos nós, dificilmente sobrevive. Esse é o desafio, criar legislação que proíba o financiamento das touradas e outras actividades similares.

É preciso ter em conta que muito do financiamento parte, não com objectivo de financiar a tourada, mas para agricultura, um disfarce de contas, uma ilusão.

Sem dinheiro não há “espectáculo”.

Alegam tradição, mas é preciso relativizar porque a própria tourada nem sempre foi assim, evoluiu de umas coisas para outras tendo apenas duas coisas comuns, o homem e o touro.

Também era tradição sacrificar virgens, criancinhas, primogénitos, porque a safra não corria bem, porque avizinhava-se uma batalha e os “deuses” diziam que para ganhar só com sacrifícios. Hoje não se fazem porque, bom, os deuses “modernos” já não pedem sacrifícios como oferendas e porque temos uma compreensão diferente. Era tradição serem as famílias a arranjar o casamento e hoje achamos isso um absurdo e mais, achamos que quem ainda o pratica devia ser proibido de o fazer.

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Mas quando a tradição é nossa…

Pois é, a estratégia do PAN é um erro crasso ainda que a tourada seja uma selvajaria que tem de acabar porque não consigo encontrar a diferença entre uma arena actual e uma arena romana. No fim, o que se quer é sangue.

 

 

Ah, e misturar pais parvos com a luta contra a tourada tambem não é caminho. 

Salvar os CTT ViaCTT

 

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Fui alertado para uma situação… não encontro melhor adjectivo do que “parva”, uma situação parva de uma coisa que desconhecia chamada de ViaCTT.

Ora os contribuintes, ao que parece, têm de fazer um registo numa espécie de correio electrónico dos CTT para onde o fisco quer enviar… coisas.

Isto levanta-me um tsunami de questões que me fazem uma comichão tremenda, ainda por cima ontem enfiei um ferro no pulso e custa a escrever à brava o que amplifica o meu estado critico e sensação de irritabilidade.

Ora a primeira coisa é a obrigatoriedade de ter uma espécie de correio electrónico.  Quem paga IRC ou IVA tem de ter uma coisinha destas, incluindo o Sr. Manuel Jacinto, pedreiro de profissão, de Moimenta da Beira e com 62 anos.

O telemóvel do senhor é um Nokia 3310 que ainda funciona em perfeitas condições e não quer nada dessas modernices. Um erudito de Lisboa diz que ele tem de ter um correio electrónico.

Depois a coisa ganha contornos de cambalacho, de viabilização de empresa que foi nacional, e depois de privatizada parece não dar lucros suficientes. Então o Estado obriga a criação de um correio electrónico numa empresa privada. Tenho a minha conta de correio electrónica onde eu escolhi e o Estado envia-me as informações que acha interessantes. Curiosamente NUNCA me avisa dos prazos de entrega ou de períodos de pagamentos, provavelmente na esperança que não pague a tempo e cobre gordas multas. Há uns anos esqueci-me da data do IUC e a multa dava para passar férias num belo resort (estou a exagerar).

Mas isto é equivalente a dizer que deixo de pagar Segurança Social para passar a ter um plano de Saúde e um PPR numa seguradora escolhida pelo Estado.

(o próximo paragrafo tem falta de pontuação de forma propositada para parecer aqueles avisos que surgem no fim dos anúncios dos medicamentos, com aquela informação que não se quer dizer mas alguém fez barulho no passado e tornou-a obrigatória e por isso se diz a correr, para se dizer que se disse, mas ninguém conseguiu perceber, portanto lê o paragrafo de forma muito rápida e de um só folego para que surta o efeito desejado)

Bom, mas às tantas, e falando nas ditas multas, o Estado que não informa, e é certo que não pago IRC ou IVA, nem sequer sabia de tal inovação, está a passar multas aos contribuintes que não criaram a sua espécie de correio electrónico numa empresa privada que era nacional mas que depois de privatizada precisa ser viabilizada senão é preciso passar pela vergonha de nacionalizar já que é um serviço publico e viabiliza-se inventado coisas que levem dinheiro do Estado para uma empresa privada de forma nada ética mas legal.

Bom, tudo isto soa a esquema manhoso desde uma empresa privada substituir o trabalho do Estado, na obrigação do uso de um serviço a todos, mesmo a quem não tem condições ou capacidade de o usar, de muitas a quem nem sabia que tinha de ter tal coisa. Gostava de saber de que catacumba saiu esta ideia e gostava de conhecer os congeminadores destas ideias peregrinas.

É que é precisão gente muito criativa para inventar estas tretas.