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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Uma toupeira a conduzir um Fórmula 1

Ninguém poderá seriamente dizer que ficou surpreendido pela nomeação de Durão Barroso para o cargo de Presidente não executivo do banco de investimento Goldman Sachs. Fomos habituados a estes saltos entre o banco que “manda nisto tudo” e os lugares de poder político. Este corrupio constante e de duplo sentido entre sector financeiro e sector político, a apelidada “porta giratória”, é algo tristemente usual. O que não que significa que não consideremos ética e moralmente reprovável.

 

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No caso específico, custa a perceber como um banco com a dimensão e “prestígio” do Goldman Sachs, vem recrutar um personagem com um currículo tão, eu diria, inexistente no ramo da alta finança. Já todos ouvimos falar da máxima “só me falta ver um porco a andar de bicicleta”. Aqui adaptar-se-ia melhor a figura de “uma toupeira a conduzir um Fórmula 1”.

 

Sabemos bem o que parece esta nomeação. E neste caso as aparências não iludem. Na verdade Durão Barroso tem vindo a realizar uma espécie de “estágio”, apesar de bem remunerado, nos últimos anos. E chegou agora o prémio por ter sido um bom aluno. O seu desempenho e os serviços prestados serão principescamente recompensados. Nada mais merecido…

 

Em condições normais, alguém como Durão Barroso nunca chegaria ao “topo da vida empresarial”, como disse o comentador, desculpem, Presidente Marcelo (nunca mais me habituo). Até porque não podemos afirmar que existiu uma carreira empresarial profícua, que sustentasse a subida na escala hierárquica até chegar a um lugar de topo. Mas o trabalho de toupeira, escavando aqui e além, que ajudou a manter e aumentar a influência do Goldman Sachs a nível global, deu, inequivocamente, os seus frutos. E teria de ser premiado de alguma forma.

 

Parabéns ao Durão. Como diria o outro: “Porreiro, pá!”

 

Montijo, 8 de Julho de 2016