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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Uma Espanha, Dois Futuros

 

 

Imagina-te habitante de um determinado local e pensa o que te poderia levar a desejar que a zona onde habitas se tornasse independente.

Estou certo que o motivo para um divorcio desta dimensão teria de ser algo de muito grave ou uma mudança para melhor, muito melhor.

Os catalães não vivem num espaço de severidade nem planeiam mudar para muito melhor e visto daqui o trade off entre tornarem-se independentes de Espanha e da UE e o que perdem através dessa independência, julgo que irão perder muito mais do que ganhar.

Lutam pela democracia?

Lutam pela liberdade?

Lutam pela sobrevivência?

Não. Lutam por justiça fiscal da qual uma doença oportunista se apossou e deu força ao nacionalismo.

Mas mesmo Puigdemont lá percebeu que tinham exagerado na dose e até ao dia de hoje, tentaram sempre criar condições para um recuo estratégico, para repor justiça fiscal e talvez uma maior autonomia.

Rajoy por seu turno é um acto falhado, de uma incapacidade inquietante de ler o tabuleiro de xadrez, mesmo nas jogadas obvias.

Só conhece o seu umbigo e a a bola é dele. Só joga quem ele quer e como ele quer.

Rajoy obrigou a Catalunha a declarar independência por incompetência.

Não me oponho à independência, se for essa a vontade dos catalães, mas não compreendo essa ânsia. 

Oponho-me sim a Rajoy como chefe de uma nação europeia e que me é vizinha. Um sujeito que não tem leitura do presente não tem visão para o futuro. Não pode ser comandante do barco e isso é obvio numa Espanha à deriva.

 

Rajoy, naturalmente que já anunciou a execução do Artigo 155. Um movimento que só irá promover violência e provavelmente a origem de mártires e heróis por causa nenhuma.

Rajoy devia parar um pouco para respirar. Pedir ele próprio a demissão, não sem antes convocar eleições na Catalunha.

O futuro Governo Espanhol deveria aceitar o resultado das eleições catalãs de modo incondicional, sem vitimas, heróis ou mártires.

Mas isto é só um delírio da razoabilidade. Rajoy não se irá demitir e só convocará eleições na Catalunha depois de destituir o parlamento catalão, nas suas condições e numa perspectiva que os eleitos não irão tentar a independência.

 

Espero francamente que a situação não se degrade mais e que este momento seja recordado como uma lição para o futuro de como resolver contendas pelo dialogo numa perspectiva de convergência a bem dos povos.