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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Transito é que é bom!

André Freire publicou mais um artigo de opinião, desta feita sobre a candidatura de Medina ao município de Lisboa.

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Devo dizer que o primeiro pensamento que me ocorreu foi: “Este tipo é um acto falhado”. E porquê? Para já porque é professor e director da licenciatura de Ciência Politica no ISCTE-IUL e como tal deveria ter um conhecimento superior e uma responsabilidade acrescida nas suas palavras. Mas se o pau nasce torto, não é com boas regas e adubo abundante que vão fazer dele direito.

Começo por esfolar o primeiro paragrafo, o intróito que anuncia as tais sete razões para não votar Medina.

Diz ele que durante 10 anos nada foi feito em Lisboa e que agora, no fim do terceiro mandato, faz toda a obra que deveria ter feito durante os 10 anos anteriores. Mais, diz que Medina nunca prestou contas democráticas. Em rigor, nesta ultima parte tem razão porque Medina pega numa eleição ganha ainda por António Costa, mas a intenção é dizer que o PS, e não Medina, não prestaram contas.

Para quem lê, parece que não venceram as três eleições ou porque não foram a sufrágio ou porque o povo e burro e não conseguiu avaliar o trabalho feito. Mas não fez obra?

Ou André Freire tem memória de avestruz, ou anda distraído e tinha de dizer qualquer coisa na sua crónica com soundbites ou sabe que está a mentir e isso é mais grave. Só para exemplos rápidos, a requalificação da zona ribeirinha, hortas comunitárias, requalificação do Chiado, requalificação dos bairros sociais… e isto dito só de memória. Ah, claro, a requalificação da Mouraria, Intendente e Martim Moniz. Isto dito só de memória e sem vasculhar muito nos neurónios. Um sujeito que mora em Lisboa e trabalha em Lisboa não se lembra de nada disto?

Obviamente que não podemos imputar estas obras todas a Fernando Medina que só é Presidente da CML há dois anos, mas ele referia os 10 anos e não os últimos 2 anos de Fernando Medina.

Ia avançar, mas não posso.

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Diz ele: “É preciso que o PS perca a maioria absoluta e tenha de negociar com forças com efectivo e conhecido peso político-eleitoral.” e no intróito, “Mas seria desejável que recebessem pelo menos um bom castigo eleitoral que os levasse a perder a sobranceria da maioria absoluta actual, tendo de negociar um acordo político com outro(s) partido(s)”.

Pelo meio vai dizendo que a direita anda perdida e não faz, porque não sabe e não consegue, oposição capaz, portanto depreendo que se refira ao BE e PCP.

A primeira questão é que se depreende nas suas palavras que os partidos e associações que avançam com Fernando Medina na tal candidatura PS+ não fazem oposição por falta de conhecimento e peso politico. Que dizer da candidatura de Rui Moreira no Porto ou de uma quase vitória de Marco Almeida em Sintra? Não tinham peso e ou conhecimento?

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Depois devo recordar que André Freire apoio uma solução de convergência, o Tempo de Avançar” e passo a citar a sua apresentação: “por ser uma esquerda assertivamente radical para mudar aquilo que é preciso mudar mas também com um espirito compromissório e uma vontade sólida para construir pontes entre as várias esquerdas para uma solução de governo de tipo «esquerda plural», que sempre tenho defendido na minha vida cívica e académica”.

Qual é a parte das convergências promovidas por António Costa e agora ampliadas por Medina que vão contra a citação? O PCP e o BE não entram, como no passado e presente, porque não querem e não porque não podem.

E estranho porque o próprio BE já malhou em André Freire no passado e este não me parece consonante com o PCP. Qual é a agenda?

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Mas vamos lá aos pontos referidos:

O primeiro reporta às obras nas vias.

Este é ponto nulo porque por todo o lado há obras nas vias, promovidas pelas camaras e pelas freguesias sem olhar a cor ou ideologia. É assim e sempre foi assim.

O ponto seguinte é um pouco de mais do mesmo e nem merecia um ponto exclusivo já que entra no âmbito do anterior. Automóveis a mais em Lisboa.

Na apresentação de Fernando Medina à CML ele referiu que entravam diariamente mais de 300 mil automóveis em Lisboa. Só pelo IC-19 são mais de 100 mil. O transito é caótico, automóveis em cima de passeios, filas intermináveis, stress constante para chegar a Lisboa.

O que ele não diz é que a poluição representa multas pesadas pela UE ao município e por isso foi feito o túnel do Marquês, as rotundas estranhas do mesmo Marquês, as inversões de sentidos nas faixas laterais da Av. Da Liberdade, a tentativa de limitar o transito na Ribeira das Naus… Ah, é verdade, André Freire diz que não se fez nada nos últimos 10 anos. E sim, eu sei que o túnel ainda foi Santana Lopes a mandar fazer, mas o problema, e numa cor diferente, já era o mesmo.

E depois não é só as multas, é mesmo a qualidade do ar para quem trabalha e vive em Lisboa.

Esta ideia nem sequer é recente. Já no passado foram instalados parques de estacionamento nas periferias para permitir que as pessoas aí deixassem os seus automóveis e fossem de transportes para o centro de Lisboa. Por questões que se tentam ignorar e persistem, a ideia não resultou.

André Freire acha que a ideia é força-lo a vender o automóvel como se fosse um ataque exclusivo à sua pessoa. Enfim…

André Freire reclama de incoerência politica e eu reparo na sua incoerência de analise. Reconhece que há obra feita ainda que aponte para José Sá Fernandes como se fosse um elemento isolado do lado positivo, uma espécie de ovelha negra, mas ao contrário. Curioso que Sá Fernandes insiste que o projecto funciona…

Bom, mas lá vai ele dizendo que reconhece que foram feitas ciclovias, ainda assim insuficientes, mas reclama do tal transito infernar para depois chegar de bicicleta ao Terreiro do Paço, presumo eu que queira referir-se pela Av. da Liberdade abaixo. Ora se reduzirmos o transito já fica mais fácil, não é? Até dava para fazer uma ciclovia, uma via para o BUS e outra para viaturas. Ah, pois, mas o André quer manter os automóveis… pois assim é complicado.

Reclama ainda porque Lisboa não é Viena, mas reclama também do trabalho e do tempo que leva a fazer tal empreitada. Queria que fosse como Viena, mas num passe de mágica. Como milagres não há, segundo o André Freire, mais vale estar quieto que isso inoportuna os automobilistas. Ide mas é fazer confrontos de ideias com os “verdadeiros partidos de peso”.

Desconhece a sua cidade e onde se alugam bicicletas, arrelia-se na hipótese de ter de comprar uma, mas olhe, há por aí uma travessia em que oferecem a bicicleta na inscrição. Já poupa qualquer coisa e fica com uma “bicla” catita. E o Director de Ciências Politicas do ISCTE-IUL não consegue pagar 50 euros por uma bicicleta na grande superfície desportiva começada por “D” e terminada em “on”? Ou é só para a malta que lê dizer “ah pois é…”? Mas olhe que a malta que se pode preocupar com isso por falta de dinheiro ou não lê jornais ou lê o CM. Eu disse “por norma”.

No ponto 4 a questão repete-se. Automóveis. Segundo ele não foram feitos parques. Mas foram. O problema e aí concordamos, é que o preço não era de todo apelativo e era uma soma considerável ao custo do passe.  Basta percorrer a linha de Sintra para encontrar alguns, normalmente vazios. Já onde existem parques que não são pagos, estes ficam cheios. Concordo que a rede de transportes públicos não é fantástica, mas a CML deve ter pensado o mesmo e por isso a Carris ter voltado recentemente à esfera pública. E se o fizeram recentemente, está já a reclamar porquê?

E depois mais do mesmo, mais do mesmo, mais do mesmo.

André Freire acaba por dizer que os parceiros de candidatura não negoceiam posições de acção, trocaram isso pêlos tachos e agora são só nomes de fachada. Isso é o mesmo que ignorar que Helena Roseta sempre defendeu causas e nunca teve trela saltitando pela politica conforme a sua consciência sem olha para o tacho indo por vezes em sentido oposto ao partido onde militava. O Sá Fernandes que começou a convite do Bloco de Esquerda, como independente, voltou numa candidatura independente e nessa independência que pautou a vida, continua alinhado com o projecto?

Mudaram tanto que agora são aliados pelo tacho? Não me parece.

Falar do LIVRE é falar em causa própria ainda que o próprio se tenha aliado através da plataforma de candidatura cidadã Tempo de Avançar. O próprio que se juntou na trincheira da convergência diz agora que a convergência tornou os convergidos e não convertidos em mansos encarneirados e é preciso o BE e o PCP para… manter os automóveis em Lisboa.

Agora a sério, esta crónica serve a agenda de quem?

 

E para terminar, a rede de ciclovias que não cobrem a cidade de Lisboa

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