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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Tradição

A maioria das eleições escolhe a composição de órgãos colegiais. A excepção será mesmo as presidenciais. E temos assistido ao triste espectáculo que nos chega dos lados de Belém. Assim, tirando estas, não se ganham nem se perdem. Compõem órgãos que são representativos da diversidade da sociedade. Pela primeira vez, a pluralidade de esquerda parece querer se entender. E isso é um óptimo sinal, principalmente para os quase 19% de eleitores que entregaram os seus votos às forças mais à esquerda no parlamento. Sendo que estes eleitores merecem ser respeitados. No hemiciclo o voto dos seus representantes contará tanto como o de outro qualquer deputado ou deputada.

 

Tradição? A política não deve viver de tradições. Principalmente as democracias modernas. Na política deve-se esperar clivagens, ideias, progressos, consensos, evoluções e revoluções. Se a política apenas sobrevivesse de tradição, muito mal estaríamos em termos de liberdades individuais e direitos da cidadania. Por isso precisamos de mais nervo, coragem e ousadia na política. Precisamos daquele atrevimento que manda para as urtigas a tradição. Porque é tempo de algo novo. Que se perfilem soluções diferentes e que se testem outros modelos.

 

Portanto venha de lá a ruptura com o mesmíssimo democrático. Estamos fartos desta monotonia política que nunca responde aos anseios da população. Quebrar regras omissas e legitimidades apodrecidas. Porque a tradição… A tradição já não é (ou não deve ser) o que era.

 

Montijo, 24 de Outubro de 2015