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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Tomados de Assalto

 

Segundo indicam os estudos, o Homem conta por esta altura com 200 mil anos de existência. Já a terra tem cerca de 4,54 bilhão de anos.

Um individuo actual, com muita sorte consegue chegar aos 100 anos.

A nossa passagem pelo planeta, dadas as dimensões temporais acima referidas, pode ser considerada com efémera, um piscar de olho do tempo e ainda assim, vivemos como se a historia nunca tivesse acontecido, como se a existência não fosse para além de nós próprios.

Existem por ai uns sujeitos que defendem que a nossa existência se deve reger pela lei do mais forte ou lei da selva. Os melhores serão recompensados, os medianos servirão os melhores e os piores, ficam entregues à sua sorte e provavelmente à morte.

Esta teoria é engraçada no Discovery Channel quando observamos a lei da natureza em que uma espécie se alimenta de outra para viver.

Dentro da mesma espécie, o que normalmente observamos são comportamentos de luta territorial e de acasalamento que raramente resultam na morte. A vida, mesmo para estes que não a pensam, é valiosa demais para se desperdiçar.

Ainda assim, nós que nos julgamos intelectualmente superiores matamo-nos e não nos importamos sequer com os nossos semelhantes. Hoje em dia, mesmo as nossas famílias só o são quase em períodos festivos. Apesar de uma rede de transportes que nos permite chegar a destinos cada vez mais distantes num menor período de tempo, as reuniões familiares são cada vez mais espaçadas no tempo, cada vez menos sentidas.

Em diversas espécies, uma delas a nossa, existe um grupo de sujeitos chamados de free rider.

O free rider é um individuo que dentro de uma espécie social como a nossa, em nada contribui para a sua manutenção e melhoria mas usufrui da sua existência. Ou seja, a nossa sociedade assenta num comportamento de reciprocidade em que todos trabalham para o bem comum e acautelam os momentos de fragilidade dos seus membros ao passo que alguns, reconhecendo falhas do sistema, se aproveitam dele através dessas falhas sem no entanto contribuir em nada.

Normalmente os indivíduos que apresentam este tipo de comportamento, logo que apanhados a aproveitar-se do bem comum, são afastados da comunidade.

O Homem curiosamente faz o oposto. Debaixo da capa de quem funciona ao abrigo da sociedade, temos indivíduos que são profissionais do aproveitamento do sistema sem que em nada contribuam para o seu funcionamento.

A maioria da população trabalha e contribui para a sociedade ao passo que uma pequena parcela apenas cria riqueza sem produzir rigorosamente nada para o bem comum.

A nossa sociedade, curiosamente, foi tomada de assalto por free riders com um discurso empolgados e vibrantes de riqueza e estabilidade para todos. A verdade é que o “todos” é referente apenas a um grupo de pessoas, igualmente free riders que se associam apenas para abusar da sociedade. Eles próprios se aproveitam dos membros do seu grupo sempre que possível e não se importam que se percam alguns como danos colaterais.

Estes são os que promovem a flexibilização laboral, a desregulamentação dos mercados financeiros, a liberalização da educação e saúde e um dia até da segurança, a venda do património estratégico… O fim da existência humana em sociedade ao abrigo de um Estado Social.

Estes são os que promovem a lei da selva dentro da própria espécie causando a morte e miséria de muitos em nome do crescimento económico.

A nossa vida, com sorte dura 100 anos. O Homem já por cá anda há 200 mil anos. Tu hoje podes ir a favor da corrente e tirar partido do sistema instituído. Mas os teus filhos e teus netos terão essa capacidade?

Eu prefiro garantir que aqui e agora se garanta que mais ninguém terá de sofrer para que alguns enriqueçam para além da sua capacidade de gastar, que filhos, netos e todos os que se seguem à nossa existência possam viver dentro do que se possa considerar uma existência digna.

É aqui, é agora, é TEMPO DE AVANÇAR!