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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Tempos interessantes

Eu não vivi Abril. Desconheço seu clima, sua envolvência. Mas julgo reconhecer no ar destes novos tempos que vivemos o cheiro da época. O que me devolve uma doce e estranha nostalgia, dum tempo que nunca vivi.

 

É certo que hoje as coisas são diferentes. Saímos de 48 meses de austeridade e não 48 anos. Não perdemos a liberdade, embora por várias vezes nos dissessem que não havia escolha. Já não há lápis azul; em contrapartida o espaço noticioso foi pintado de laranja. Exercemos o direito ao voto, mas o mesmo é condicionado pelas sondagens diárias. Depois de designados/as  os/as deputados/as dizem-nos que afinal não são todos/as iguais. E todo este guião é baseado numa tortura sobre a votação, levada a cabo por jornalistas, comentadores e editores, com o objectivo de pôr o voto a falar e que este confesse o que nunca significou.

 

Mas os banidos do arco governativo têm demonstrado têmpera. Enquanto se monta um circo mediático em torno de um governo caducado, os proscritos trabalham numa real alternativa. Com uma certeza, mais forte que muitas ameaças de saneamento e higienização política – a austeridade não serve! Empobrece, dói, sentencia; e nada resolve… Este é o espaço comum. Que se acertem as pautas, que se forme a orquestra. A música agora terá de ser outra. E seus acordes irão reavivar o perfume de Abril.

 

Não nos falhem. O povo não merece tal desilusão.

 

Montijo, 30 de Outubro de 2015