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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Syriza é a candeia que vai à frente.

 

A Grécia foi ontem, novamente, a votos em eleições legislativas e o resultado foi surpreendente. Ou talvez não…

Durante demasiado tempo foi plantado nas mentes das pessoas que tudo o que tudo o que foge do centro tradicional, um pouco à esquerda ou um pouco à direita, são um bando de radicais livres que só promovem medidas e políticas incautas.

Em Janeiro deste ano, e depois de terem experimentado quase tudo sem sucesso, os gregos decidiram que era altura de mudar e escolheram o Syriza. Por Portugal toda a esquerda se apressou a congratula-lo, mas antes que cantasse o galo, três vezes o negariam. Varoufakis transformou-se na popstar do momento ao enfrentar o poder instalado dando voz a todos os que na Europa se sentem esmagados pelo poder de Merkel. Mas em vez de estrela era Ícaro que ali estava e de asas queimadas acabou por cair.

Na verdade as suas propostas eram boas, boas demais para a bancocracia e capital regente.

Mas a realidade é que Tsipras teve de abdicar da estratégia porque nem a Europa cedia nem os gregos encontraram outra solução que não fosse pior do que a austeridade anunciada, algo que por cá, alguns partidos insistem que é a saída ideal.

Tsipras acabou por capitular e a Europa acabou por oferecer, depois do sacrifício humano, parte do plano que o Governo grego tinha levado a Merkel.

Mas a ala mais radical do Syriza saiu e a crise política instalou-se. Os gregos foram convocados a pronunciar-se uma vez mais.

Lições a retirar:

-Os gregos estão convictos que esta esquerda não é maluca e tem melhor probabilidade de defender os gregos do que os partidos “tradicionais”.

-Os gregos sabem que sair do Euro é um erro catastrófico.

-A Europa reconhece que muitos países estão a virar à esquerda tal como aconteceu no Reino Unido e apenas o sul da Europa continua com o seu pensamento de medo disfarçado de moderação.

-Por cá, os partidos que se colam ao Syriza, defendem a saída do Euro enquanto eles, no olho do furacão insistem que do mal, o menos, é melhor ficar.

Independentemente do modo como a Grécia é usada por terras lusas, ora para exemplo positivo ora para exemplo negativo, a verdade é que a Grécia não, nunca e nunca será Portugal.

As pessoas são diferentes, os hábitos e cultura são diferentes, o tecido empresarial é diferente, as parcerias económicas são diferentes e geograficamente, ainda que num mundo globalizado, estão rodeados por países diferentes. Naturalmente que a ideologia possa ser semelhante mas é por isso que nos reconhecemos uns aos outros como sujeitos de esquerda.

Resta-me apenas congratular a reeleição do Syriza sem ter de me colar a ele e desejar que o seu trabalho traga dignidade e melhoria da qualidade de vida aos gregos.

Por cá, e agora sim colando-me um pouco, não é demais relembrar que não temos de votar sempre nos mesmos e nem todos são populistas com demagogia barata, nem todos são radicais livres. São 16 candidaturas e com toda a certeza, seja na direita, ao centro ou à esquerda, existem opções válidas que não têm de passar pelos velhos companhias de circo do costume.

É tempo de mudar, É TEMPO DE AVANÇAR!