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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Sem cor, política ou religião...

sem cor, sem política ou religião. Apenas medo e solidariedade...

 

Fez esta semana 14 anos que o mundo, mais uma vez, mudou. Um atentado terrorista nos Estados Unidos da América viria a criar uma onda de medo no “mundo ocidental”.

Nesse dia, do qual todos guardamos memória, 2977 pessoas perderam a vida em directo. Em directo assistimos a bombeiros, policias, militares e civis em busca de sobreviventes. Os que procuraram vitimas não discriminaram. Todos eram vítimas de um ataque infame.

Mais tarde, os terroristas foram identificados. Todos eles eram de diversos países do médio oriente e todos eles viviam no nosso “mundo ocidental” onde estudaram e trabalharam até que um dia mudaram o mundo da pior maneira.

 

Quase três anos depois 191 pessoas perdem a vida num episódio de menores proporções mas com os mesmos contornos. A mesma busca por sobreviventes sem olhar a quem precisava, um crime orquestrado por pessoas que já viviam entre nós há diversos anos.

A 22 de Julho de 2011, um norueguês típicamente loiro, alto e de olhos azuis, de seu nome Anders Behring Breivik, um fundamentalista cristão ligado à extrema-direita, dá por terminada a vida de 76 pessoas em Oslo e Utoya.

Poderia continuar a descrever atentados terroristas que ocorreram ao longo da história mas estes servem o seu propósito. Os ataques terroristas são cometidos por extremistas. Não interessa se é extremismo religioso ou politico. São extremistas e não respeitam o ser humano, nem sequer os seus conterrâneos.

 

Curiosamente nenhum destes terroristas era refugiado. Apenas eram pessoas carregadas de ódio alimentado pelo medo.

 

Aquelas pessoas que tentam desesperadamente chegar à Europa estão em fuga. Fogem pela vida!

O Estado Islâmico (EI) diz que pelo meio infiltraram terroristas. Mas que interessa ao EI dizer que está a enviar terroristas? Rigorosamente nada para alem de criar ainda mais terror. Se fosse verdade, o seu objectivo era estarem incógnitos até que fizessem o seu ataque. Os refugiados fogem do EI e este quer simplesmente mata-los  de preferência com alguma tortura mediatizada.

 

Criar medo na Europa é criar um beco sem saída para os refugiados que irá facilitar o trabalho do EI ou imagens de gente morta nas praias europeias que imagino lhes traga bastante satisfação.

Francamente não acho que a solução esteja na recepção de refugiados ad eternum. Eu, pacifista que sou, julgo que neste momento não há outra solução que não seja uma intervenção militar forte e consistente e que conclua com um verdadeiro trabalho de pacificação ao contrário do que tem sido feito no Afganistão ou Iraque.

 

Mas enquanto o mundo não contraria as vidências de Nostredamus, prefiro ter por vizinho um refugiado, mesmo que isso implique correr o risco que o EI esteja a falar a verdade, do que ir contra o que nos distingue enquanto espécie, a humanidade, solidariedade e empatia e deixar que pessoas morram nas mãos de um grupo de extremistas no outro lado do mediterrâneo.