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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Revoluções para o Séc. XXI - Rendimento Básico incondicional

 

Por muitas voltas que dê à cabeça, não encontro nenhuma profissão que não possa ser substituída agora ou no futuro por uma máquina.

As únicas profissões que não as vejo a serem produzidas por máquinas são aquelas que dependem da arte de pensar, de imaginar e sonhar.

Tudo o resto, desde o jardineiro ao médico, são profissões passiveis de serem delegadas a equipamentos tecnológicos mais ou menos desenvolvidos.

Hoje, numa era em que a tecnologia ainda não é assim tão dominante que arrase por completo os postos de trabalho, é fácil encontrar pessoas que estão nos antípodas das suas preferências laborais. O tipo que queria ser musico e acabou em empregado de mesa, o sujeito que queria fazer teatro e é segurança, a rapariga que queria ser médica mas trabalha num cal-center.

Por diversos factores nem todos nós conseguimos ser o que queríamos e a maioria de nós acaba por se esquecer dos sonhos que tinha.

Se olharmos para a nossa sociedade como ela tem acompanhado o desenvolvimento tecnológico verificamos que os primeiros empregos que se perderam para a tecnologia foram aqueles que são repetitivos.

 

O exemplo mais claro tem origem em Henry Ford que desenvolver a sua linha de montagem até que o trabalhador deixou de sair do seu local de trabalho e era o trabalho que passava por ele. A ele, competia apenas uma única tarefa na linha de montagem repetida em todos os automóveis na linha de montagem.

As ferramentas foram evoluindo para aumentar a produção até que hoje o funcionário foi substituído por um braço robótico que faz o mesmo com mais precisão e rapidez.

 

Já nos nossos dias podemos verificar que nos últimos 30 anos deixaram de existir nas empresas o secretariado e as dactilografas. Hoje os quadros médios de uma empresa assumem em si, numa perspectiva de polivalência todo o trabalho que anteriormente era competência do secretariado. Os computadores e sobretudo a internet acabaram assim com departamentos inteiros nas empresas e o processo não parará.

O capitalismo, a bancocracia, o selvagem neoliberalismo têm por base o consumo. Uma entidade produz e vende a outra que compra. Olhando para a questão acima referida uma empresa deixa de fazer sentido se não tiver quem compre. Se os postos de trabalho são eliminados, a população deixa de ter um salário em empresas, bancos, Estados, tudo acabará por desaparecer.

Para contrariar esse destino teremos de mudar totalmente o paradigma económico olhando com olhos de quem quer ver para o Rendimento Básico Incondicional (RBI).

Se o dinheiro fosse num valor fixo teríamos duas questões: Nunca seria possível ver a economia mundial a crescer porque se cresce de um lado, diminui noutro e corria-se o risco de ver todo o dinheiro cativo nas mãos de um só sujeito, o vencedor do monopólio.

O modelo existente é refém da banca que a favorece através de juros e todo um mercado paralelo que se alimenta do risco assumido. Funciona um pouco como as apostas desportivas em que uns apostam na vitória e outros na derrota. Ganha mais o que arrisca mais. Mas se um banco não se meter por atalhos nem apostas, este já gera lucro sem ter de produzir nada. Aos cidadãos, empresas e ao Estado, resta-lhes a subserviência à boa vontade da banca, pagar e não fazer muito barulho.

Sabemos assim que o emprego tende a desaparecer, as empresas vendem a quem compra, logo precisam de um ponto de vista global de pagar salários e a banca controla tudo isto injectando dinheiro, recolhendo juros e depois jogando com os juros ganhos através do trabalho das empresas e cidadãos.

Mas se as empresas deixam de ter funcionários a quem pagam salários, vendem a quem?

Se quem recebe agora salário e por isso pode adquirir bens que serão pagos a médio/longo prazo recorrendo à banda, sem salário com adquirem os seus bens?

Se as empresas não têm a quem vender e já ninguém tem dinheiro para adquirir bens, a banca irá financiar quem?

Parecendo um daqueles anúncios das Televendas que promovem um produto que tudo resolve, a verdade é que a solução tem forçosamente de passar pelo RBI. Mas como?

Invertendo a entrada de dinheiro na economia.

Se a lógica começa por “compra quem pode” e “vende se existir o comprador”, então se o dinheiro for directamente colocado na mão do comprador, este círculo fica fechado e podemos continuar a avançar enquanto sociedade.

Poderemos considerar uma introdução faseada no tempo e nos valores.

Poderemos considerar numa primeira fase atribuir o RBI a todos os que tenham um rendimento inferior a 600€, não atribuindo este valor mas perfazendo-o. Consideramos uma introdução progressiva pelos que mais precisam até terminar nos que não precisam.

A partir da introdução do RBI deixam de existir pensões de reforma, invalidez, RSI, baixas médicas e todo o tipo de subsídios destinados aos cidadãos.

Naturalmente que a banca e os investidores de risco ficarão a perder com o RBI, mas quem é que quer saber da sorte dos vampiros que jogam com a vida de pessoas como quem aposta na roleta?

 

O risco da banca fica claramente minimizado pelo menos no que toca ao empréstimo aos cidadãos e a necessidade de recorrer a empréstimos diminui.

A livre iniciativa contínua intacta. Quem quer trabalhar, continua a trabalhar e esse valor irá adicionar-se ao RBI. Mas o mercado paralelo tende a desaparecer e sem fuga aos impostos a economia torna-se mais justa e saudável.

Que não se julgue já que o investimento é assim tão astronómico. A partir do momento em que o dinheiro do RBI comece a circular na economia, ele começa a regressar em forma de impostos e contribuições.

Sem fazer contas, arriscaria a dizer que a diferença não será significativa face ao dinheiro que entra actualmente na economia.

A única coisa a mudar é a porta de entrada e deixam de estar 99% de dinheiro na mão de 1% da população.

Se já coloquei fortes objecções ao Rendimento Básico Incondicional, hoje vejo-o como a verdadeira revolução social que deixará para trás a Idade Contemporânea para entrarmos na Era do Humanismo Universal pautado pelo respeito étnico, numa globalização plena, num mundo sustentável, na democracia de plenos direitos com pessoas que vivem a vida com gosto, dignidade e respeito por si, pelos outros e pelo mundo.

 

http://www.rendimentobasico.pt/