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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Rememoriando

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Vivi Abril com 15 anos e, com 15 anos, não se vive, devoram-se os dias. Não existem camuflados que disfarçem sentimentos, travões que sustentem correrias, nem barreiras que nos façam parar. As sombras dos acontecimentos comportavam-se em constantes heresias.

Só me restava viver e tudo merecia ser vivivdo. Mas caravanas das memórias ficaram para as poder rememoriar.

Esta urgência em celebrar Abril fez das minhas rotinas, festas, daquelas que nunca queremos que terminem.

Nem sempre força significou razão, nem sempre razão foi sinónimo de raciocinio. As ideias radicalizavam-se e, por vezes, eram acompanhadas de ações.

A minha casa já não tinha paredes.

Festejar Abril foi festejar a vida, mas daquelas coloridas, das que merecem ser vividas. Quando a vida sonhava comigo, o despertar obrigava a que os sonhos se afinassem com as realidades.

Viver Abril com 15 anos, não é viver. é engolir o mundo. Abril comia-se, bebia-se e vestia-se. Devorava-se numa só garfada, bebia-se num só golo e vestia-se com a primeira peça de roupa que nos saltava do armário.

Abrl não se vivia, corria-se. Nem os limites de velocidade existiam, nem os acidentes nos assustavam.

Conheci as pessoas certas nas horas exatas. Sempre tive essa sorte.

Estive sempre do lado certo, por mais que os outros o achassem errado.

Nunca apelei a negacionismos, tudo o que fiz e vivi, foi sempre o correto. Hoje só resta o que eu quis, mas o que ficou eterniza-se comigo. Nunca fiz da História um antidoto para eliminar passados, o que vivi já ninguém mo tira.

Era preciso experimentar novos pensamentos, dentro das teorias. O encaixe não nos servia. As ortodoxias dos pensamentos limitavam os desejos, era preciso transgredir, era preciso dar vida aos sonhos. As peregrinações dos ideais resultavam em novas razões, em profanações consentidas.

A vida espelhava paixão.

Afirmávamos ideais, engolíamos livros, discutíamos com tantas certezas e convicções que, acreditávamos viver a verdade.

Viver Abril com 15 anos é fazer do devaneio dos nossos ideais, utopias vividas.

Que bom é continuar a acreditar em utopias.

E assim, constitui-me em Abril.