Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Que contas são estas?

 

 

Há pessoas que não compreendem muito bem em que mundo vivem ou pelo menos apenas têm uma visão muito afunilada do mundo.

Devem ser estes que para não olharem para o “outro mundo” erguem agora muros para manter as coisas bem separadas.

O tema do mercado imobiliário dá pano para mangas e muito provavelmente estou muito longe de conhecer sequer metade do missal, mas como tem sido o tema da ordem, não desarmo.

Para este tema dos imoveis destaco duas pessoas em particular que não conhecem, para este efeito, o país real. Chamo a nós Assunção Cristas e o arauto da direita, José Gomes Ferreira (JGF).

Para quem acompanha o que escrevo deve estar recordado que não há muito tempo escrevi assim “-Imoveis de luxo, sejam de habitação permanente ou não, devem ter IMI agravado;”.

O artigo em que esta frase se insere não tem ainda um mês e ao contrário de Marques Mendes que tem sempre informações privilegiadas, garanto que não estava ao corrente da iniciativa do Governo tributar património imobiliário acima dos 500 mil euros.

Para algumas pessoas com cidadania portuguesa 500 mil euros em património imobiliário não demonstram riqueza de uma pessoa ou agregado familiar.

 

Sem Título.jpg

 

 

 

2013

Em Percentagem

Escalões de Rendimento Bruto (em euros)

Total

 5 055 680

100%

 

0-5.000

 849 358

16,80%

 

5.001-10.000

 1 599 767

31,64%

 

10.001-13.500

 667 356

13,20%

 

13.501-19.000

 659 121

13,03%

 

19.001-27.500

 552 617

10,93%

 

27.501-32.500

 175 336

3,46%

 

32.501-40.000

 181 153

3,58%

 

40.001-50.000

 138 370

2,73%

 

50.001-100.000

 196 993

3,89%

 

100.001-250.000

 33 333

0,65%

 

250.000+

 2 276

0,05%

 

 

Os dados acima reportam ao rendimento bruto por agregado familiar, ou seja, 16,8% dos agregados familiares sobrevivem com menos de 5 mil euros anuais. Podemos adicionar o escalão seguinte de 31,6% que sobrevive com menos de 10 mil euros anuais. Isto é o mesmo que dizer que numa casa onde mora um casal com um filho, uma família típica portuguesa, 10 mil euros terão de chegar para pagar as contas todas do ano. Isto equivale a 277 euros mensais por pessoa.

José Gomes Ferreira aparece muito indignado com quem tem uma habitação de luxo no centro de Lisboa ou no Porto de 600 mil euros como se fosse um ataque à maioria dos portugueses.

É preciso dizer que um agregado familiar que ganhe 20 mil euros anuais e use toda essa verba para pagar a casa, demoraria 30 anos para a pagar e estou a dar desconto nos juros da hipoteca.

A JGF doí-lhe na alma o investimento estrangeiro que não se vai concretizar devido a este novo imposto. Que investimento? Vistos Gold? Especulação imobiliária para a aquisição de Vistos Gold?

O sujeito herdou uns terrenos? Estou certo que se lhes der uso o rendimento desses terrenos será superior ao acréscimo do imposto. Quer deixar lá os terrenos parados? Paga mais IMI porque tem um bem que não gera mais valias. Tem uma habitação herdada e faz dela casa de férias? É bem de luxo e tem obviamente que ser tributado como tal.

 

Isto faz-me lembrar um momento entre Manuela Moura Guedes e Miguel Sousa Tavares quando este defendia que as Scuts tinham de ser pagas na ótica do utilizador pagador ao que Manuela Moura Guedes remata “Se tivesses de pagar portagem na marginal se calhar já não falavas assim…”.

Assunção Cristas, José Gomes Ferreira e outros tantos comentadores fazem parte daquela classe que defende Portugal, mas que nunca defende os portugueses e é por isso que se insurgem contra medidas destas.

É um facto que para se aliviar de um lado, mantendo as mesmas despesas, é preciso carregar de outro. É igualmente facto que é da competência de o Estado fazer uma correta repartição de rendimentos e promover justiça social. Afinal quem acabou com a classe média, quem defende a descida de salários é quem agora se queixa que tem de pagar mais em impostos indiretos.

10 comentários

Comentar post