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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Quando os milionários enrquecem

Não sou fã de listas e rankings. Aliás, estou convicto que tal contribui para eternizar um clima nada saudável de constante competitividade, que alastra por todos os sectores e por toda a sociedade. Mas no caso concreto abro uma excepção, para apresentar um facto incontornável que não tem sido tratado com a importância devida. Faço-o à boleia da habitual lista dos mais ricos em Portugal que será publicada pela revista Exame de Agosto, mas já abordada por esta notícia retirada do site do Jornal de Notícias – http://www.jn.pt/economia/interior/os-nilionarios-portugueses-estao-mais-ricos-5309382.html.

62. Quando os milionários enriquecem.jpe

 

Ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, durante os períodos de crise económica, que quase parecem iniciados por decreto, não se queima dinheiro. Antes se verifica uma transferência do capital. Quando a crise se abate, dita a cartilha neoliberal que sejam feitos cortes cegos na despesa pública. Esta engloba os orçamentos dos hospitais ou das escolas, mas também os ordenados e reformas das pessoas ou as prestações sociais. Convencionou-se apelidar esta actuação de austeridade. Foi isso que sentimos em Portugal nos últimos anos.

 

Sabemos que vivemos num mundo desigual, mas os sacrifícios impostos em alturas de maior aperto redundam num claro aumento deste fosso. Atente-se à simples constatação na citada peça jornalística: “Este é o terceiro ano consecutivo em que as fortunas dos 25 mais ricos aumentam”. A austeridade resulta nisto. E a verdade é que por muitas correcções que sejam feitas posteriormente, os rendimentos concentram-se cada vez mais num número limitado de pessoas. Estranho mundo este, no qual os pobres empobrecem, para que os milionários enriqueçam…

 

Quando tal acontece a coberto de políticas activas promotoras das desigualdades, tudo se torna ainda mais perverso.

 

Montijo, 27 de Julho de 2016