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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Privatização da CGD passo-a-passo

 

A polémica instalou-se em torno da nova lei para gestores da CGD e instalou-se mesmo dentro da “geringonça” onde ninguém se entende sobre este tema. Duvido que mesmo dentro do PS exista uma concordância generalizada sobre o tema, mas isso é um problema interno do PS.

A questão aqui parece-me ter duas dimensões, uma no campo da coerência e outra no campo ideológico.

No que toca à coerência o Governo assume a CGD como um banco publico, mas depois coloca os seus gestores numa dimensão privada em que os seus gestores apenas devem contas aos seus acionistas e por consequência, ao Governo.

Diz o Governo que assim não deturpa acima nem abaixo os valores de referencia praticados noutros bancos.

Mas se a CGD é uma instituição bancária na esfera do Estado esta tem de estar sob o mesmo escrutínio que todos os outros gestores públicos. É ainda preciso referir que sendo a CGD um banco do Estado este não pode balizar os seus objetivos como os praticados nas instituições privadas.

Assim é natural que a instituição funcione com regras próprias para a sua atividade, mas dentro dos objetivos e regras do Estado e do que é publico.

Escutava hoje um comentário na rádio que orientava o pensamento para algo como “os funcionários públicos fazem serviço publico, logo devem ter vencimentos modestos…”.

As palavras não foram exatamente estas, mas era esta a ideia implícita. Devo dizer que o funcionário publico é um trabalhador igual aos demais e que ser funcionário do Estado não equivale a dizer que é uma agremiação de sujeitos desajustados para vingar no privado.

Voltando à opção do Governo de esconder a vida dos gestores da CGD, falamos aqui de uma posição numa área sensível e da maior relevância. Sabemos hoje que a generalidade da banca nacional não foi bem gerida e estamos TODOS a pagar por essa ingerência. O Governo não está mandatado para fiscalizar e espero que o Governo se retrate.

Logo no inicio falei de uma dimensão ideológica e quase parecia que me estava a esquecer dela. Talvez o meu cérebro estivesse mesmo a tentar ocultar pensamentos obscuros, mas…

Colocar no discurso que a CGD é um banco como os outros e como tal deve ser gerido da mesma forma é abrir portas a uma futura privatização. É fácil depois disto dizer que o seu funcionamento é coerente com os restantes e como tal não há necessidade de manter a CGD na esfera publica e que pode naturalmente ser privatizada. O regulador garantirá o seu bom financiamento.

Este tipo de discurso serve aqueles que dentro da EU e dentro desta em Portugal desejam o Estado mínimo livre de “concorrência desleal”.

Existem muitas maneiras de esfolar um coelho e o melhor é que o coelho não se meta a jeito de ser esfolado.

Se é preciso que a CGD se mantenha publica é também imperativo que a sua gestão e os seus gestores sejam escrutinados. Veja-se que com tanto escrutínio já acontecem tantos atropelos que no fim todos nós pagamos, imagine-se sem escrutínio…