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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Portugal de pernas para o ar

 

 

Quanto mais observo o mundo, mais o vejo num percurso contrário a si próprio.

Isto assim dito pode parecer um pouco estranho mas a sua prática é ainda mais estranha. Começo aqui com um par de exemplos objectivos:

Esta semana foi aprovada a adopção por casais homossexuais. Pergunto eu se isto não será estranho se na constituição é-nos garantida a igualdade de direitos e garantias independentemente das suas crenças, sexualidade, género ou berço?

Com a camarada Rita Paulos a espreitar!

 

Numa União Europeia que tem a liberdade e democracia como vigas mestras, não será estranho agora elevar barreiras fronteiriças com base no medo e desconfiança?

Ou neste mesma UE que quer todos os países numa rota de convergência depois promove medidas que aumenta drasticamente a amplitude financeira entre Estados membros?

Lançado aqui o mote genérico, passo para o concreto.

Esta semana no Jornal Sol, surgiu um artigo que tem como titulo “Gostava de poupar 1300 euros num ano? Esta é a solução”.

Efectivamente gostava e como tal fui ler… e fui perder o meu tempo.

Resumidamente o que é proposto é poupar semanalmente o valor correspondente à semana do ano em que se está. Ou seja, na primeira semana do ano poupa-se 1€, na segunda semana 2€, na terceira semana 3€ e assim sucessivamente até ao fim do ano.

Isto equivale a uma poupança mensal de cerca de 115€.

Qual é o problema desta proposta? Quantas pessoas têm 115 euros para poupar por mês? Reformulo: Quantas pessoas têm dinheiro para poupar?

O desemprego continua a afectar 632 000 portugueses. Cerca de 10% dos trabalhadores portugueses encontram-se em risco de pobreza, ou seja, mais 550 000 portugueses. A estes temos de adicionar os filhos destes desempregados e empregados com salários pornograficamente baixos. E por fim, os desempregados não declarados, inactivos e pensionistas com pensões vergonhosamente baixas. Não estarei a exagerar se apontar para 5 milhões de portugueses que NÃO CONSEGUEM POUPAR!

Mas esta notícia não é um caso isolado. Quantas vezes recebemos chamadas telefónicas a oferecerem-nos créditos que nos ajudam a poupar?

“Você fica com este cartão extraordinário que não tem custo nenhum e estará sempre a poupar!”

Não é contraditório o incentivo à aquisição de bens com o tal de “poupar”?

Normalmente a resposta que dou a estes vendedores é “Se não comprar nada disso, poupo mais…”

A pessoa que nos telefona não tem culpa nenhuma. Foi o melhor emprego que conseguiu encontrar. Cabe-nos a nós perceber se efectivamente necessitamos de mais um meio facilitador ao consumismo imediato e muitas vezes imponderado.

Falando em comprar, e para terminar este episódio do “mundo ao contrário”, falemos da sustentabilidade.

Sem perder de vista todos aqueles que não conseguem poupar, ou seja, que compram o mais barato possível, por vezes leio notícias de páginas “verdes” a incentivar à aquisição de equipamentos economizadores. “Opte por um equipamento A++” dizem eles. Mas se eu preciso de um frigorífico e não tenho dinheiro para olhar para o economizador, quero lá saber se a letra do alfabeto onde ele se enquadra. Quero é ter a comida fresca. Comprar uma lâmpada de LEDs por 10 euros? Compro uma normal por 0,50€ que já serve muito bem.

Quem é que não queria um automóvel novo com menos avarias e mais poupadinho? Sim, porque a questão toca no custo do combustível porque ninguém pensa o quão poluente ele é!

Mas se a carteira só chega a um “charuto” com 10 anos que gasta 10 aos 100 e deita um estranho fumo negro…

O Governo mudou e espero começar a ver medidas que ponham o mundo às direitas…