Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Portugal a Régua e Esquadro

 

Ontem abri um artigo da página da Visão.pt e reservei. Tinha de me debruçar melhor sobre o que acabara de ler.

Diz o título que “Metade dos trabalhadores portugueses têm qualificações a mais”. O título chamou-me a atenção porque iria contra a ideia da “fuga de cérebros” do país. Mesmo com os que já saíram ainda tínhamos metade da população com qualificações a mais?

Afinal não é bem assim. Cinquenta porcento dos portugueses acha ter qualificações a mais para as funções que desempenha. Qualificações nunca são demais, mas o problema acaba por ter algum relevo umas linhas mais abaixo quando diz que 19% das pessoas sentem que não têm margem de progressão no seu emprego e 18% dizem não ter progredido nada desde que entraram.

Estes sim são dados de grande relevância porque numa empresa, independentemente das qualificações, é suposto começar-se por baixo e ir progredindo mediante experiencia, qualificações e capacidades demonstradas. Neste país, talvez na maioria dos casos isso não é verdade e um sujeito que entre numa empresa acaba por se ver ultrapassado por outros que na maioria das vezes não têm experiencia nenhuma ou tendo, nada acrescenta há existente mas que entram para posições superiores recorrendo ao factor C (cunha).

O resultado é simples: desmoralização generalizada e consequente baixa produtividade compensada depois por escravatura e ameaças.

O artigo, mais abaixo volta a despertar-me a atenção. Segundo o estudo da CEDEFOP, a agência europeia para a formação profissional, o emprego voltará a crescer sobretudo nos sectores da agricultura, florestas e pesca, 26% em Portugal face a 6% no resto da Europa mas 14% na ciência e saúde face aos 24% na Europa.

Acho curioso que se projecte para Portugal um aumento do sector primário que até é bem-vindo, mas por troca das áreas de maior qualificação e certamente uma orientação para não se apostar nas novas tecnologias. Mais uma vez orienta-se a população portuguesa para o trabalho braçal dado a genialidade a outros.

E assim se traçam os destinos da Europa e sobretudo dos europeus, a régua e esquadro numa qualquer secretária de Bruxelas…