Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

HTML tutorial

Pontes de Lisboa, galinhas dos ovos de ouro e fado

 

16123120_1367471746610357_8823859058063704064_n.jp

 

O português médio deve, por qualquer motivo ter um prazer oculto de ser roubado.

Deve ser genético, uma necessidade de promover o degredo para depois poder ter o seu fado.

Quem se poderia considerar português se não tiver algo sobre o que reclamar?

 

E por esta altura reclamamos que a ponte 25 de Abril está para cair. A primeira coisa que me inquieta é que é preciso uma revista lançar uma pedra ao charco para que o Estado assuma e anuncie reparações urgentes.

Curiosamente depois deste anuncio o Governo e o LNEC dizem que não há problema nenhum, pelo menos que possa ser considerado como grave.

Mas antes tudo apontava para uma ponte em risco eminente de cair ou pelo menos de ter em si um incidente grave.

“… “Foram inúmeros os relatórios enviados para a Infraestruturas de Portugal… “As fissuras das treliças transversais aumentaram em número e em comprimento”, apontam os técnicos do ISQ… o ISQ chama constantemente à atenção para necessidade de brechas e para a necessidade de obras…Também a consultora norte-americana Parsons (detentora dos segredos da ponte, (…) realizou, recentemente, um estudo que sugere a “realização de trabalhos imediatos… Empreitada que para o LNEC, entidade à qual o Executivo decidiu pedir opinião há alguns meses, confirma “ser, de facto, urgente” (na página da RTP).

 

Desta noticia peço para que fique memorizado o numero de 160 mil viaturas que passam na ponte diariamente, mais 160 comboios com mais 80 mil passageiros. Avancemos.

 

Recuemos então até 1995 e ao contrato de construção da Ponte Vasco da Gama.

Nessa altura Animal Cavaco Silva, hoje conhecido por “múmia” tinha como ministro das obras publicas o então ministro Ferreira do Amaral e a completar o triunvirato, Eduardo Catroga como ministro das finanças.

Aquela manta na altura procedeu à concessão da construção à Lusoponte. Esta ficaria com a construção da futura Ponte Vasco da Gama e da sua exploração até 2030 (ainda faltam 12 anos), e para ajudar a pagar o investimento, foi oferecida a exploração do tabuleiro rodoviário da ponte 25 de Abril. Nesta ultima, apenas com a responsabilidade de alcatroar e mudar lâmpadas de iluminação da dita.

Devo dizer que na altura foi feito um estudo por um artista qualquer que indicou o numero esperado de viaturas a passar na nova ponte. Se esse numero não fosse cumprido, a diferença entre viaturas reais e numero esperado, seria pago pelo Estado.  É um negócio fabuloso, repara: abres uma empresa e para pagar os custos dizes que precisas vender 1000 parafusos. Sabes que esse numero é irreal e nunca passas dos 600 parafusos. Mas sabes que há alguém que te dá o dinheiro para cobrir os 400 parafusos em falta, garantindo-te SEMPRE o lucro. (mais o que veio, vem e virá da ponte 25 de Abril).

 Não há como falhar. Ou o teu negócio resulta por ti ou resulta porque o Estado é amigo e assume-te o lucro. (A mim só me pede para pagar impostos... porque será?)

Bom, entre o que a Lusoponte recebeu de portagens e indemnizações pagas pelo Estado, Freitas do Amaral, que depois de sair do Governo de Cavado passou para presidente da Lusoponte, já recebeu para cima de MIL MILHÕES de euros. A construção da ponte Vasco da Gama não chegou a 600 milhões e ainda faltam 12 anos, sempre a somar.

Sim, porque aqui, para o efeito, os custos, tirando alcatrão e lâmpadas, são todos do Estado.

 

Vamos pegar nos 160 mil automóveis por dia que passam na ponte 25 de Abril?

Se convertermos este numero em euros, falamos de 51,1 milhões de euros anuais. O valor mais baixo das portagens é superior a 1 euro e não inclui passageiros da ferrovia. O faturado num só ano, chega para pagar a TOTALIDADE dos custos das obras necessárias para recuperar a ponte.

Desde 2001 que a Lusoponte deixou de contribuir com 2,25 milhões de euros anuais para o fundo de obras estruturais, porque Ferro Rodrigues, na altura o ministro da tutela, disse que não era preciso.

 

Como sempre, alguns engordam as suas contas à conta dos contratos de lesa-pátria, o Estado fica com os custos e os danos colaterais, nós elegemo-los e depois pagamos pelas suas asneiras.

 

Tudo isto, só para podermos continuar a cantar fado.