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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Paulo Portas e Sir Hiss

O Governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP faz-me lembrar uns desenhos animados que via durante a infância, o Robim dos Bosques.
Naturalmente que esta comparação não é feita com o herói da história mas com o Rei João e o Sir Hiss.
Em ambos os casos a palavra dada é usada em conformidade com a necessidade do momento, podendo ser alterada, se necessário, no momento seguinte.

 


O Rei João, perdão, Passos Coelho tudo prometeu antes de ser eleito para depois de eleito fazer precisamente o oposto do que tinha dito sob o pretexto que afinal tudo era bem pior do que ele projectara. Hoje sabe-se que a troika considera que medidas mais ligeiras e uma renegociação teriam sido as medidas mais adequadas.


Sir Hiss, Paulo Portas num e noutro caso é a cobra que hipnotiza. O Paulinho das feiras, sempre a defender os velhinhos reformados, os pensionistas e de boina ao alto a defender os lavradores para depois, no Governo, não fazer nada do que prometera e aparentemente alimentar a sua carteira pele-de-cobra de mais uns milhões meio obscuros-para-os-quais-as-provas-desapareceram mas que na Grécia e Alemanha produziram resultados. E lá vai ele de irrevogabilidade em irrevogabilidade, desde o tempo em que dizia que nunca seria político até ao fim de ciclo em 2005 depois de ter perdido as eleições. Dito pelo não dito, surge como salvador do CDS em 2007 para em 2011 voltar a agarrar no trem de cozinha, um trem de cozinha modesto há que dize-lo mas já era qualquer coisa. Episódio irrevogável, demite-se por sms. Dá o dito pelo não dito com a promessa de um trem de cozinha melhorado, já com uma bimby ao seu dispor.

 


Em 2015 volta a perder o poder mas enquanto houve esperança manteve os seus discursos inflamados sobre um Governo de esquerda que segundo ele é ilegítimo. Cavaco não o escutou nem a ele nem ao Rei João. O próximo presidente ainda está longe de poder fazer algo drástico e, pelas palavras dos candidatos, nenhum deles parece disposto a derrubar o actual Governo sem uma causa clara.
Paulo Portas, “o Irrevogável” faz agora uma saída airosa em que não compromete o CDS-PP e não tem de se sujeitar à humilhação de se dar como derrotado.
Certamente, conhecendo essa cobra que hipnotiza, em breve voltará para mais uma vez tentar salvar o CDS do posso sem fundo.


E é assim, com palavras de cata-vento, movimentos ritmados embalados por uma língua viperina que um nobre de casta inferior lá se vai colocando em posições privilegiadas.
Sir Hiss regressará e isso sim é irrevogável!