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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Outra Realidade

É usual dizer-se que as políticas não podem ir contra a realidade. Que o capitalismo global e o neoliberalismo reinante ditam as estratégias e modelos de desenvolvimento. Até pode ser verdade, o que não quer dizer que seja correcto. A política, pela mão dos partidos e órgãos de soberania e pela sua interacção com movimentos organizados de cidadãos, sindicatos e federações, deve delinear o rumo do país e regular a economia. A dispensa por parte dos agentes políticos em desempenhar o seu papel levou-nos ao escalar da austeridade e ao aprofundamento das desigualdades.

 

Efectivamente, a política deve de ser o exercício de construção da realidade. E ao construí-la pensar numa sociedade mais justa e igual. Onde as pessoas sejam colocadas no centro; mas no centro do progresso, não no centro da austera tempestade. Já não basta fingir. É tempo de envidar esforços verdadeiramente nesse sentido. Lancem-se as pontas para as futuras utopias. Muitos de nós, que acreditam, já se encontram na outra margem, a aguardar a chegada dos restantes.

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Um dia, estou certo, cheirarei a igualdade e cairei inebriado com seu perfume. E, nessa outra realidade, encontrarei uma sociedade mais tolerante, justa e sustentável. A outra realidade que tantos sonham e que cabe à política projectar. Que os nossos políticos sejam os engenheiros dessa construção e que estejam à altura desse desafio.

 

 

Montijo, 19 de Outubro de 2015