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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Os Vampiros estão de volta

 

Hoje irei debruçar-me sobretudo em vampiros.

Toda a gente conhece o mítico Drácula, mas não serão assim tantos a saber a história que na verdade nem sequer é grande história. Vlad III ou Vlad, o Empalador estava “entalado” entre o Império Otomano e os húngaros naquela posição de tentar agradar a gregos e troianos.

Usaram-no como herói na luta contra os turcos sei que se saiba muito bem como morreu.

Para a historia fica o modo como tratava os seus prisioneiros, empalava-os e dai o seu cognome. Herda depois o nome de Drácula como é reconhecido na mitologia por via do pai que pertencia à Ordem de Dracul, ou seja, à Ordem do Dragão.

Na mitologia sempre existiram vampiros. Drácula apenas se tornou o mais famoso dos tempos modernos através do romance de Bram Stoker.

Mas o que são afinal os vampiros?

São duplamente parasitas. Alimentam-se do sangue e do medo dos hospedeiros e no processo vão convertendo alguns e novos vampiros.

Os vampiros são muito parecidos com a malta de extrema-direita. Normalmente andam escondidos em locais sombrios e só se sente a sua presença quando estão em grupo, alimentam-se do medo que eles próprios provocam e crescem tanto mais quanto mais pessoas se resignem ao medo a ceder-lhes o seu medo.

Como cantava Zeca Afonso:

“No céu cinzento sob o astro mudo

Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés veludo

Chupar o sangue Fresco da manada

 

Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo Eles comem tudo

Eles comem tudo E não deixam nada”

Segundo rezam as lendas, os vampiros são seres que seduzem as suas vitimas. A malta daquela direita faz o mesmo. Hitler prometeu o regresso do império, Salazar prometeu recuperar o poder do país, Trump prometeu revitalizar a superpotência e um pouco por todo o mundo os partidos de extrema-direita vão tentando encantar os seus cidadãos com a mesma lengalenga de poder e supremacia de uma espécie qualquer. “A culpa não é nossa, é dos outros e se excluirmos os outros e os que são amigos dos outros, seremos os melhores do bairro”

Bem sei que os partidos tradicionais têm falhado no desenvolvimento da democracia e no progresso social em nome das grandes instituições financeiras. Têm seguido sobretudo ideologias de uma direita conservadora e elitista ainda que não seja extremista. E é pela falha destes que defendem a democracia que temos assistido ao crescimento de partidos políticos de extrema-direita e extrema-esquerda.

Estes partidos são rotulados de “extrema” porque representam apenas um extremo da sociedade ignorando ou suprimindo todos os outros.

Hitler e Salazar foram eleitos. Trump também foi eleito e Marine Le Pen poderá vir a ter uma palavra a dizer sobretudo se concorrer contra outro candidato que represente apenas mais do mesmo que as pessoas já estão fartas.

E quando estas pessoas estiverem no poder?

Trump já anunciou que vai expulsar 2 a 3 milhões de emigrantes ilegais. Portugal vive há muitos anos de divisas que chegam de outras fronteiras. Teremos uma nova vaga de retornados? Como resposta e para equilíbrio de “contas” iremos nós expulsar tudo o que não nasceu por cá?

Se acolhermos estes partidos de extrema-direita a liberdade e a democracia morrem.

Voltamos a não poder falar na rua e voltamos ao tempo em que falar do futuro tem de ser em circuito fechado e com pessoas escolhidas a dedo. Presos políticos, perseguições, tortura, fronteiras fechadas, censura, desaparecimento de pessoas de modo injustificado, livros queimados, imprensa ainda mais inquinada.

As fronteiras elevam-se e o pensamento expansionista e colonizador regressa.

Um caso claro e atual reporta a uma intenção por hora verbal dos turcos alargarem as suas fronteiras. Erdogan foi claro no seu desejo de ver regressar o império otomano.

As pessoas não terão nem mais nem melhor emprego nem sequer mais qualidade de vida. Talvez nem sequer tenham direito à vida.

A malta nacionalista começa por ter um problema que é precisamente o nacionalismo. Mais cedo ou mais tarde um nacionalismo irá querer impor-se ao nacionalismo de outro. Já a esquerda não exclui a identidade, mas procura promover a colaboração e harmonia entre povos, etnias e nações.

Mas segundo a mitologia nenhum vampiro pode entrar numa casa sem ser convidado e a extrema-direita só regressará se as pessoas os convidarem a entrar.

Cabe a cada um de nós pensar e perceber quais as consequências das nossas escolhas. Trump como Presidente poderá ser forçado a moderar as suas medidas porque os republicanos não estão em posição de apostar numa jogada de tudo ou nada. Mas se as condições internacionais lhe forem favoráveis, ou seja, se a sua ideologia racista, xenófoba e imperialista se propagarem, poderemos ver uma nova ordem mundial, um regresso ao inicio do seculo passado com muita guerra e muitas mortes.

Nós ainda temos a ferramenta que nos permite evitar percorrer este caminho.

Um dia pode ser que já não tenhamos liberdade de escolha…

Fica o alerta se queremos ou não convidar os vampiros a entrar na nossa casa.