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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Os exames de história deviam ser mais exigentes

Tenho cada vez mais dificuldades em associar Homem a humanidade. Parecem tão parecidas e uma é tão vazia da outra e talvez mesmo o vice-versa.

Muitas vezes esbarro-me com malta que empunha o estandarte da tolerância, mas depois são altamente intolerantes com os que têm outra coisa em mente e acabo por não conseguir perceber quem é quem, para alem da cor do estandarte.

 

Bom, não tenho tido particular tempo para escrever, mas amanhã terei um dia de férias e, portanto, a esta hora dou-me ao luxo de dedicar dez minutos a escrever, e sabe tão bem tirar pensamentos de dentro da caixa.

O mote foi esta foto:

 

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E o comentário que a acompanhava: “O QUE FIZEAM COM A MINHA LISBOA?”

Comentário e foto da autoria de Reginaldo Adão, um “amigo” de um “amigo” das redes sociais que agora já não é porque se há um ramo preso a uma maça doente, é melhor cortar um pouco acima não vá alastrar-se para o resto da árvore.

Bom, o tal Reginaldo entope-se de bandeiras portuguesas, adorna-se com motivos fascistas, ataca toda a esquerda de modo indiscriminado, coloca a mão ao peito com a camisola da selecção nacional ao mesmo tempo que se cobre com a bandeira dos EUA. Isto não é poesia, quem quiser, é confirmar.

Visto daqui, é só um troll que confunde nacionalismo com racismo. O tipo sabe lá qual é a sua pátria… sabe é que tem medo da diferença e depois destila racismo.

 

Voltemos, mas é a Lisboa, à foto e ao comentário. Portugal conta actualmente com 879 anos e Lisboa faz parte de Portugal há 871 anos. Antes disso, Portugal e Lisboa, foram parte integrante de muitos outros povos, tão distantes como comparar a nossa contemporaneidade com os portugueses originais. Sim, a única coisa que temos em comum é o território ocupado e o nome do país. Até mesmo a religião, que em termos de predominância era a mesma, era praticada de outra forma e se uma se encontrasse com a outra, teriam dificuldade em reconhecer-se.

Bom, voltemos a Lisboa.

Lisboa por si só já tem um nome que não é português, pelo menos a sua origem não é portuguesa. A cidade de Ulisses, e Ulisses era grego. Olissipo. Mas mesmo antes de chegarmos a este nome, já por cá havia malta a viver, e cada um que chegou, somou-se aos que já estavam.

Bom, D. Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha (“francês”), primeiro rei de Portugal, vem por ali abaixo e conquista Lisboa aos mouros. Mas ao contrário dos idiotas que comentam a foto acima, D. Afonso Henriques não manda matar os mouros. Quem não queria ficar sob o reino português era livre de partir, quem quisesse poderia ficar.

Naturalmente que os despojos da guerra são para os vencedores e quem ganhou, ficou com a zona nobre da cidade, a zona virada para o rio e para sul.

A zona pobre ficou para os mouros e por isso temos hoje a zona chamada de mouraria, como noutras zonas do país temos judiarias, onde moravam judeus.

Lisboa sempre foi um local de passagem entre o norte e o sul, um porto de abrigo para viajantes, um entreposto comercial, um centro de cultura, um porto seguro.

Quem, como este Reginaldo Adão é racista mascarado de nacionalista, é na verdade alguém que não compreende a natureza de Portugal, a origem do país, as tradições deste território.

  1. Afonso Henriques, o pai da nação, matou quem lhe fez frente nos seus objectivos militares e estratégicos, mas não matou quem não pegou em armas.

É curioso que um homem que viveu há mais de 800 anos tenha mais clarividência do que pessoas com acesso a uma quantidade insana de informação, sobretudo de história da humanidade.