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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Onde nos leva Marcelo?

 

Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse e parece que acordámos noutra vida.

A tomada de posse do Prof. Marcelo sentiu-se muito mais como o alívio pela saída de Cavaco Silva do que pelo consumar da vitória de Marcelo.

Isto é óbvio quando sabemos que 52% da população não votou e dos 48% que votaram, apenas 52% escolheram Marcelo Rebelo de Sousa. Analisando assim, friamente, apenas o alívio da saída do seu antecessor justifica tanta festa.

Mas mesmo assim julgo curioso este descontentamento com Aníbal Cavaco Silva.

Chamado de palhaço por Miguel Sousa Tavares, partilhado nas redes sociais como “A múmia”, atravessou os seus mandatos em erros sucessivos quer políticos quer de presença. E mesmo antes de ser Presidente da República, o povo correu com ele do Governo numa época de má memória dos “Secos contra Molhados” ou da “Geração à rasca”.

Somos hoje o resultado directo desse tempo em que Aníbal Cavaco Silva traçou o destino económico, precário, do país. Não é de estranhar que na apresentação dos novos candidatos a membros da União Europeia, e a propósito da aplicação dos fundos de convergência, Portugal e Espanha tenham sido usados como exemplos, um positivo e outro negativo. A nós coube-nos a fava…

É fácil de compreender a reeleição como Primeiro-Ministro. Com a quantidade imensa de fundos comunitários todo o português comprou automóvel, habitação e colocou os filhos a estudar no ensino superior. Ninguém teve a percepção de o estar a fazer à custa de uma hipoteca difícil de pagar.

Difícil é compreender como é que depois de se perceber o que “a múmia” nos deixou de herança, o tenham elegido não uma mas duas vezes como Presidente da República.

E se foi eleito, porquê o alívio?

De todos os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa há um que me ficou a vibrar no tímpano:

"jamais troquem a sua liberdade, o seu rigor no trabalho, os seus gestos de luta e de coragem por qualquer promessa de sebastianismo político ou económico".

E mesmo no meio deste apelo, feito popstar, Marcelo Rebelo de Sousa toma posse, vai à missa com lideres de diversas confissões religiosas, parte para um espectáculo musical oferecido à população, reserva o dia seguinte para espalhar charme com os funcionários do palácio de Belém, parte para uma visita de charme ao Porto onde até faz uma perninha em directo na Radio Comercial, regressa a Lisboa e abre as portas do palácio de Belém aos portugueses que o desejem visitar e conhecer.

De Presidente ainda não vi nada mas de trabalho no culto individual muito temos visto. E para quem teve apenas 52% dos votos de 48% de votantes, podemos dizer que se está a sair muito bem no que toca a construir popularidade.

Se será bom ou mau presidente… o tempo o dirá. Para já vejo-o apenas como a criação da imagem do tal Sebastião que ele próprio alertou. Vejo pessoas a compara-lo ao Papa Francisco e a depositarem nele a esperança de um país melhor e diferente.

Depois de Presidente conhecido por “múmia” que fala de ácaros, cagarras e do tamanho das bananas da Madeira, era francamente difícil encontrar igual ou pior.

Ou será que atrás da tomada de posse de El Rei Dom Marcelo que enaltece o império, a família e a religião, no meio do nevoeiro de D. Sebastião ainda não conseguimos ver o que temos pela frente?

 

Credito da Imagem do site abola.pt