Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Oficiais de Pavio Curto

FGR-17_VIPER.jpg

 

 

A minha experiencia militar não é tão grande quanto isso. Não fui voluntário, não fiz qualquer tipo de carreira, mas também não pedi nenhum adiamento. Fui daqueles “obrigados” no tempo em que ainda se era obrigado a cumprir serviço.

Nesse tempo estava integrado num impedimento com algum nível de segurança e por isso cada um de nós, daquele impedimento, tinha a sua própria chave. Naquele espaço só podia entrar o pessoal do impedimento, oficia-de-dia e comandante da unidade. Nos dias que estava de serviço, ia almoçar depois de ser rendido por outro camarada e o jantar, estando sozinho, era-me levado num tabuleiro assim como o reforço que chegava com o cair da noite. Para quem não andou na tropa o reforço não é um aumento de contingente, mas o nome que se dá a uma espécie de reforço energético para quem está de serviço pela noite fora. Uma sandes de ovo mexido e um pacote de leite com chocolate, por exemplo.

A unidade onde servi era pequena, de pequeno contingente e naquela altura serviu até de alojamento para os refugiados da guerra civil da Guiné. Ainda assim tínhamos por lá armamento e munições e esses estavam confinados numa área de segurança superior à minha e tal como no meu espaço, havia SEMPRE alguém de serviço. Misseis eram transportados numa pão-de-forma sem qualquer tipo de reforço (militar) ou escolta, mas os espaços de segurança tinham SEMPRE gente presente.

Quando desaparece material militar de uma unidade, e presumo que os procedimentos de segurança não tenham mudado assim tanto já que as instituições militares são francamente conservadoras e nada dadas a grandes mudanças, fico desconfiado.

Não conheço as unidades de Tancos, mas se tivesse de me por a adivinhar diria que os paióis em questão ficam a NW da pista. Os pavilhões ali estão isolados de outros serviços e espaçados uns dos outros para evitar contágio em caso de incidente. Se tiver razão na localização eu não acredito que aquelas edificações sejam deixadas sem vigilância do mesmo modo que não acredito que quem lá tenha ido não soubesse ou por ter lá estado ou por informação de quem lá tenha estado, onde tinha de ir.

E onde foram é a questão. Há poucos anos foram “levadas” armas do Quartel da Carregueira, base actual dos Comandos. Falou-se de um oficial de baixa patente, que poderia estar envolvido noutro furto em Espanha, mas que se saiba nunca se provou nem sequer se sabe em concreto o tipo de armas subtraídas.

Desta feita o que desaparece, para alem de cerca de 1500 munições 9mm, é material que no seu conjunto é estranho.

Para contrabando a quantidade é relativamente pequena, quanto muito serviria para vender a um grupo separatista ou terrorista do estilo da ETA.

Granadas ofensivas, apesar do nome não produzem grandes danos tal como o gás lacrimogénio, muito útil para dispersar manifestações, mas pouco produtivo para o terrorismo actual.

Foram furtadas cargas de corte muito usadas nos filmes americanos de operações especiais e que efectivamente podem ser usadas no assalto a carrinhas de valores ou arrombamentos de cofres.

Levaram fio de tracção que basicamente serve para montar armadilhas como as que se vêem nos filmes ligadas a minas antipessoal. Um tipo tropeça e pum!!!

O problema sério reporta a 44 granadas foguete antitanque e aos cerca de 50 quilos de explosivo. Estes sim podem fazer grandes estragos nas mãos de quem lhes queira dar um mau destino.

Alguém levou aquele material especifico e não outro. Se queria explosivos porque iria levar gás lacrimogénio e fio de tracção?

Não levou uma bobine por acaso, levou 22. Para quem está a furtar isso representa espaço, peso e tempo por uma coisa que poderia ser facilmente substituída numa drogaria.

Francamente julgo esta selecção de material tão estranha como a falta de vigilância.

E já agora, porque é que os oficiais se vão amanhã manifestar? Pelo que li os oficiais exonerados foram-no a titulo provisório enquanto decorrem investigações. Dito isto o que motiva tão célere manifestação por parte dos oficias?

Resumidamente: porque é que levaram aquele material em particular, algum dele sem valor comercial, militar ou estratégico?

Sabendo do défice de segurança, quem e porquê enfraqueceu as rondas numa zona de elevada relevância?

O que está na verdade a inquietar os oficiais?

Qual o resultado da investigação das armas desaparecidas na Carregueira?

10 comentários

Comentar post