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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

O poder da informação

 

Ao longo da história da humanidade, o conhecimento sempre foi a chave, não só para o sucesso como para a dimensão temporal desse sucesso. O sucesso de uma cultura reflecte-se depois na dimensão cultural e acabam por ser os impérios de maior duração a deixar-nos o maior espolio.

Mas se a informação e o conhecimento são assim tão relevantes, com naturalidade o seu acesso sempre foi limitado ao mínimo indispensável.

Por cá, durante muito tempo o conhecimento esteve reservado às mãos da companhia de Jesus. Eles decidiam quem podia ou não aprender e sobretudo decidiam o que se poderia ou não ler, a bem da Santa Inquisição!

O Marquês de Pombal veio tentar mudar um pouco isso mas com a sua queda em desgraça, caiu também o seu trabalho. Entramos em 1900 com 73% de analfabetos e é a partir de 1910 com a Instauração da I República que a educação passa a ser uma prioridade de Estado.

Sol de pouca dura, diria eu. Com o Estado Novo a educação passa a ser coisa limitada. Diria Carneiro Pacheco, o mentor a Mocidade Portuguesa que é preciso pôr «termo a entorpecedoras utopias e a aspirações ilegítimas» e para isso, contar, ler e escrever já era saber suficiente.

Se olharmos para as tabelas gráficas sobre o analfabetismo, ainda hoje têm por base o ‘saber ler e escrever’.

Com a revolução dos cravos as distâncias parece terem-se encurtado. As pessoas tiveram acesso a um automóvel, a adquirir uma habitação e para muitos, a dar um curso superior aos seus filhos. Mas o analfabetismo continua o mesmo que em 1900.

A verdade é que as pessoas aprenderam coisas mas não aprenderam o fundamental, a pensar pelos seus próprios meios. Talvez seja um defeito do ser humano mas a maioria de nós pensa que pensa mas apenas replica o que escuta ou vê sem ponderar muito bem aquilo que recebeu e assim fica fácil para quem tem na mão o poder da informação.

Em Portugal não temos um único meio de comunicação social que seja associado à esquerda. Nem sequer ao centro-esquerda. Existem algumas que podemos considerar que não são tendenciosas e todas as outras, curiosamente as que atingem maior audiência, são de direita.

Hoje, numa altura em que os partidos estão a negociar o próximo Governo, temos um batalhão de comentadores (de direita) a dizer que todo e qualquer Governo que não seja liderado pela PaF é ilegítimo e fraudulento por Rui Ramos ou Marques Mendes a anunciar o ‘Suicidio de Costa e do PS’ numa coligação à esquerda com o argumento que 38% das pessoas que votaram têm mais legitimidade que os 62% que votaram em sentido contrário ainda que dispersos por três partidos políticos.

Este tipo de mentira tanta vez é dito até que se parece com algo verosímil e não se vê a imprensa empolgada a demonstrar o contrário.

Õ mesmo se aplica aos comentadores elegíveis. Marcelo Rebelo de Sousa, depois de uma actividade política medíocre, passa 15 anos connosco à mesa a fazer-nos companhia a falar sobre livros até que passa a ser da família. A sua incompetência politica torna-se irrelevante porque “esta já nós conhecemos, todos os dias aos domingos faça chuva ou sol…”.

A verdade é que os mesmos 73% de analfabetos em 1900 são os mesmos que temos hoje. São estes 73% que só compram “A Bola”, o “Correio da Manhã”, que vêem as duas novelas da TVI, sabem quem marcou o golo da selecção, sabem quem saiu a semana passada d’a Quinta mas não fazem a mínima ideia dos conteúdos dos programas dos partidos (os que os tinham) e foram a sufrágio no dia 4 de Outubro.

Estes analfabetos são-no por opção porque cansa menos ao cérebro deixar que outros pensem, olhar para a televisão e ver programas hipnóticos e no fim, ao ouvir falar de política, que no fim de contas é o que influencia as nossas vidas, os direitos e garantias, liberdades, vencimentos, tributações e sobretudo futuro, a resposta é “São todos iguais, querem é tacho…”.

Digo eu, 73% da população é toda igual, analfabeta por opção.