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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

O Logro

Já era de esperar que esta sessão de esclarecimento sobre o Orçamento de Estado de 2017, promovida pela federação distrital de Setúbal do PS e que trouxe ao Montijo o ministro das finanças Mário Centeno, fosse uma operação de “charme político”. Já era de esperar que o salão da galeria municipal estivesse cheio, mesmo que fosse com pessoas que não moram no Montijo. É normal que o PS avance com este tipo de iniciativas, para mostrar serviço e a vivacidade do partido. Aliás, muitas têm sido as excursões de membros do governo ao Montijo nos últimos tempos, talvez para pagar a fidelidade da concelhia a António Costa na altura das primárias, talvez para manter esta Câmara nas mãos do PS e não perder terreno na correlação de forças que se faz dentro da Área Metropolitana de Lisboa.

 

Tudo isto é normal e faz parte do jogo político. E é até salutar, na minha opinião, sessões de esclarecimento que possam diminuir o fosso entre eleitos e eleitores; que estimulem o diálogo entre ambos e difundam a informação entre a população. Descodificando a mensagem e tornando-a mais acessível a todos.

 

Bem, tudo isto é normal e salutar, quando não é um enorme embuste! A sessão de hoje no Montijo começou com a introdução de António Mendonça Mendes, presidente da federação distrital de Setúbal do PS, que explicou como iria decorrer a iniciativa. O ministro faria uma apresentação sobre o orçamento e depois passaríamos a um período de perguntas e respostas, reservada a militantes e simpatizantes do PS, durante a qual não poderia estar presente a comunicação social…

 

Por momentos fiquei incrédulo, mas julguei que fosse um lapso e mantive-me entre a assistência. O problema é que depois da redundante e monocórdica apresentação do Orçamento de Estado, António Mendonça Mendes, repete o mesmo aviso. Ora como eu e quem estava comigo não somos nem militantes, nem simpatizantes do PS decidimos, evidentemente, abandonar a sala. E ficou para mim a pergunta que queria fazer ao ministro.

 

No meio disto tudo ficamos sem perceber o que o PS tem a esconder à comunicação social. E ficamos também com a certeza de que possíveis perguntas incómodas por parte da população não serão feitas. Pelo menos aqui no Montijo. Esta não é a forma de trazer o povo à participação política. É um logro apelidar uma iniciativa partidária de sessão de esclarecimento e depois descobrir-se que a comunicação social não poderia estar presente na parte mais interessante do processo. É um logro exigir que se seja militante ou simpatizante do PS para poder participar na ronda de perguntas duma sessão de esclarecimento. Mas é um logro – ou como se gosta de dizer no Montijo: aldrabice – no qual não voltarei a cair.

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Montijo, 22 de Outubro de 2016