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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

O Futuro das Nossas Crianças

Quando me falam do crescimento constante e perene questiono sempre até quando, até onde. Na realidade vivemos uma época admirável, na qual o avanço tecnológico alcançado deveria ser já suficiente para assegurar a vivência em paz e segurança a toda a sociedade de todo o mundo. Mas ao invés disso continuamos a querer mais. Presos no espartilho do neoliberalismo que se alicerça num capitalismo sanguinário em que mais, nunca é demais. Quando é que o suficiente será, enfim, suficiente? Esta é a questão fundamental.

 

Nestas ocasiões lembro-me sempre da canção de Cat Stevens “Where do the children play”. E lembro-me na mesma de forma sarcástica. Invariavelmente, notícias negativas que envolvem crianças deixam a comunidade indignada e/ou abalada. Não será um acaso que cada vez que se divulgue uma notícia de um acidente ou atentado com vítimas mortais, venha sempre o célebre chavão jornalístico “entre as quais [tantas] crianças”.

 

É portanto líquido que nos preocupamos com as nossas crianças e que tentamos sempre protegê-las. Como tal queremos o melhor para elas. No entanto, não posso deixar de ponderar que essas mesmas pessoas, que se comovem com os relatos tristes de acontecimentos que envolvem crianças, não se impressionam minimamente com a poluição dos oceanos, o derrube das florestas ou o aquecimento global…

 

A verdade é que nos podemos preocupar muito com as nossas crianças e pensar sempre no melhor para elas. Mas se não legarmos um mundo no qual elas possam viver, de pouco valerá as nossas boas intenções. E podem estar certos que as crianças de hoje nos julgarão num futuro próximo pelas nossas irresponsáveis acções.

 Montijo, 4 de Julho de 2016