Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

HTML tutorial

O Erro do PAN

10.jpg

 

 

Podemos olhar para a história do Homem por duas vias, ou pelos actos de bravura e heroísmo ou pela completa parvoíce e não se pense que estão tão longe quando isso uma da outra, às vezes, talvez boa parte das vezes, a bravura, heroísmo e parvoíce tornam-se sinónimos.

Ora deixando cair o H maiúsculo do Homem, ficamos só com o homem e isso já é indicativo que diminui da letra, mas aumenta o índice de problemas associados.

Olhamos para a mitologia e Hercules surge-me na mente como o máximo representante do homem de H pequeno. Dão-lhe um toque de divindade, mas a parvoíce é bem terrena, uma demonstração de capacidades a que chamam de virilidade através de actos de parvoíce a que chamam de heróicos, mas que resulta com frequência na morte antecipada. Não era homem suficiente, diriam os seus contemporâneos. Ah, pois, isso continua a acontecer.

 

19890889_gwACF.jpeg

 

A competitividade é algo que nos está no ADN e isto não é uma espécie de desculpa para tudo, é efectivamente o que nos permitiu chegar aqui da forma que chegámos e não de outra, porque na competição com outras espécies, as nossas estratégias foram estas e não outras. O que temos de melhor? Nada. O que temos de diferente? O modo de pensar e projectar no futuro.

Só que há coisas em que somos só animais e competimos por tudo e com tudo. É isso que justifica o Livro dos Recordes do Guiness. Tudo serve para competir e/ou para justificar a parvoíce.

Ora da mesma forma que Hercules foi matar o Leão de Nemeia, nós desafiamos a vida ao enfrentar outros animais. Tirando Hercules que regressou vivo, não há assim registo de homens que tenham conseguido, sem ser por sorte, sobreviver a leões e como tal é melhor desafiar coisas mais desafiáveis como atravessar brasas descalço ou enfrentar herbiveros de porte consideravel.

 

Mais dia menos dia, todos os animais que partilham o mesmo habitat acabam por se cruzar e a poder de milhares de anos, acabam por criar estratégias ou de predação ou de sobrevivência.

O Homem não é excepção e não será por acaso que o gado vacum foi domesticado e os touros foram usados, não para entretenimento, mas para treino militar. Touros que não sendo predadores, não têm interesse nenhum em nos atacar a não ser que sejam atiçados para o fazer ou para se defenderem ou ambas.

É fácil perceber que um animal que não tem intenção de atacar, está ali disponível e tem um porte considerável, seria usado para que o homem de H pequeno fizesse de conta que é bravo e forte. Ninguém faz a mesma brincadeira com um cão que apesar de ter sido domesticado e ser menor, é um predador e ataca e mataria com muito mais facilidade e velocidade.

Bom, ali para a idade média aparece um formato semelhante à tourada actual. Os nobres usavam touros para o treino militar e o escudeiro ia atrás, obviamente apeado.

Há pouco tempo vi um artigo que dizia que as peças de roupa usadas por Kate Middleton, princesa britânica, mesmo que fossem da C&A, depois de aparecerem nas revistas, começavam a vender como pãezinhos quentes.

Ora se os nobres enfrentavam touros, a plebe teria de fazer o mesmo e se não há cavalos e os burros são muito lentos, que se faça a pé.

Às páginas tantas, entra ali a renascença, em França a tourada passa a ser considerada como uma bizarria pouco digna do Homem, o do H grande, e com os Bourbon na casa Real Espanhola, a nobreza deixa de usar os touros em treinos ou divertimentos taurinos.  O povo não entendeu a coisa da mesma forma e a vedeta da tourada, em Espanha, passou a ser o toureiro apeado na figura do matador.

Em Portugal as coisas foram diferentes. Estávamos longe o suficiente de França e tudo demora a cá chegar. Alias, a ideia de espectáculo indigno nunca cá chegou nem a nobres nem à plebe. Até hoje, o cavaleiro continua a ser a estrela maior da tourada e o toureio apeado, o forcado, um entretenimento entre cavaleiros.

O homem do H pequeno continua a falar de bravura ao enfrentar um animal que não tem qualquer tipo de interesse em enfrentar homens de H pequeno ou grande.

Ainda que a história da tauromaquia seja interessante, não é tão interessante que grupos de pessoas não consigam compreender o que se compreendeu em França há 300 anos, que a tourada é algo de um passado selvagem e sem capacidade para mais.

Será o mesmo que dizer que um grupo de pessoas continua a ir defecar ao mato e por muito que se explique que há espaços próprios para o efeito e um ritual de higiene, essas pessoas são incapazes de compreender e dar o passo em frente. Continuam a cagar no mato.

Desculpem a crueza das palavras, mas não sei como hei-de explicar melhor que há coisas que perdem o seu prazo de validade e deviam ter o seu interesse apenas num museu.

 

pan-quer-abolicao-total-das-touradas-1.jpg

 

 

O PAN avançou com a ideia de proibir tudo e o PAN tem um problema de falta de memória, mais que isso, falta de investigação sobre as coisas da vida. São cegos como cavalos com palas, como touros em frente a uma capa vermelha. Em Portugal as touradas foram proibidas e o povo insurgiu-se contra a proibição. Ao fim de uns meses a tourada foi reposta, acabou apenas o touro morto em arena.

Os outros partidos sabem que votar a favor custa votos e se a zona de touradas fosse numa zona de predominancia de direita... mas não é e portanto é melhor não comprometer. 

Aprende-se que antes de proibir, é preciso mudar a mentalidade e se hoje, criamos a ideia de animais muito fofinhos e por isso embarcamos em ideias muitas vezes peregrinas do PAN, e são peregrinas por falta de estruturação e base cientifica, a verdade é que a luta entre espécies é tão antiga como a historia da vida, o confronto entre homens e animais é tão antiga como a historia da humanidade e os animais foram até há pouco tempo ou problemas, ou caça ou de utilidade ao Homem e a questão da sua fofura não era sequer considerada.

O touro não é exactamente um animal fofo e é preciso muita ginástica para fazer a vaca que ri parecer fofa, mas a malta que defende as touradas diz que o touro passa o tempo contente e feliz nos campos até que chega o seu dia.

Imagina que te dizem que irás viver 5 anos como tu gostas e nas últimas 24 horas serás um cristo. Arrancam-te da tua casa à força, enfiam-te numa caixinha onde não te possas mover, humilham-te ao cortarem-te as tuas defesas, levam-te preso num transporte, sabe.se la para onde, enfiam-te para um espaço cheio de gente aos gritos mas de onde não podes fugir, espetam-te ferros que dizem que não dói nada mas fazem sangrar e que eu me lembre tudo o que faz sangrar dói, e espetam mais uma e outra vez, a pé, a cavalo e no fim, voltam a enfiar-te numa caixinha e matam-te com uma pancada na cabeça.

Sabendo disto, preferias nunca ter nascido ou cinco anos normais pagam bem um dia de massacre e consequente morte?

 

1374668081ky_up0000000087-png.jpg

 

Propor a proibição tem a vantagem de trazer as questões para a praça publica, por outro lado, é um tocar a rebate, um reunir de todos os que de alguma forma gostam de tourada a cerrar fileiras para não deixar acabar a tourada.

O que se devia de facto fazer? Bloquear TODOS os fundos públicos que de forma directa ou indirecta possam ser usados para sustentar as touradas.

A tourada tem um custo elevado e se não for patrocinado pelo dinheiro de todos nós, dificilmente sobrevive. Esse é o desafio, criar legislação que proíba o financiamento das touradas e outras actividades similares.

É preciso ter em conta que muito do financiamento parte, não com objectivo de financiar a tourada, mas para agricultura, um disfarce de contas, uma ilusão.

Sem dinheiro não há “espectáculo”.

Alegam tradição, mas é preciso relativizar porque a própria tourada nem sempre foi assim, evoluiu de umas coisas para outras tendo apenas duas coisas comuns, o homem e o touro.

Também era tradição sacrificar virgens, criancinhas, primogénitos, porque a safra não corria bem, porque avizinhava-se uma batalha e os “deuses” diziam que para ganhar só com sacrifícios. Hoje não se fazem porque, bom, os deuses “modernos” já não pedem sacrifícios como oferendas e porque temos uma compreensão diferente. Era tradição serem as famílias a arranjar o casamento e hoje achamos isso um absurdo e mais, achamos que quem ainda o pratica devia ser proibido de o fazer.

espanha-festival-sacc83o-firmino-20170707-008.jpg

 

 

Mas quando a tradição é nossa…

Pois é, a estratégia do PAN é um erro crasso ainda que a tourada seja uma selvajaria que tem de acabar porque não consigo encontrar a diferença entre uma arena actual e uma arena romana. No fim, o que se quer é sangue.

 

 

Ah, e misturar pais parvos com a luta contra a tourada tambem não é caminho.