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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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O culto do sangue e da personalidade

 

 

Para quem é ateu, muito gosto eu de dar exemplos bíblicos…

Em determinada altura Jesus foi até ao Monte dos Olivais e por lá se sentou. Às tantas apareceram por lá uns fariseus com uma mulher que acusavam de adultério. O objetivo era apedreja-la como mandava o Antigo Testamento de Moisés.

E Jesus resolveu a questão dizendo: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.”. Os fariseus foram à sua vida e alguém achou que este era um bom ensinamento para a vida. E é, mas ninguém o segue.

 

Este episódio demonstra a vontade que o homem tem do culto do sangue. Esse é um exemplo de muitos que podemos ler ao longo da história. Onde há um condenado à morte, há uma festa em torno do culto do sangue. Enforcamentos, decapitações, desmembramentos… qualquer morte por castigo era visionada por uma horda de gente. E se pela ideia do punidor o objetivo era fazer daquela morte violenta um exemplo desincentivador para determinado comportamento, a verdade é que o povo se juntava apenas para ver alguém morrer de forma violenta.

Não somos assim tão primitivos?

Qual é o jornal que mais vende em Portugal? Que tipo de noticias alimentam esse jornal?

Ao culto do sangue juntamos o culto da personalidade.

Temos vários exemplos contemporâneos desse processo de culto da personalidade. Mussolini, Hitler, Lenine, Salazar, Fidel, Trump, Marcelo…

É estranho adicionar Marcelo no meio de outros de outra dimensão histórica?

Marcelo está em TODO o lado.

Morreram pessoas nos incêndios? Marcelo está lá!

Morreram pessoas com doença do legionário? Marcelo está lá!

O homem mordeu o cão? Marcelo está lá!

Ninguém morreu? Marcelo vai ajudar na distribuição de alimentos aos sem-abrigo!

Não há nada de significativo a acontecer? Inventa-se qualquer coisa para aparecer.

 

E Marcelo aparece todos os dias, e se antes tinha direito a um resumo ao Domingo à noite, agora tem sete dias para comentar.

Marcelo é promotor de um maior numero de noticias do que todo o Governo junto.

Estou convicto que um destes dias aparece aqui à porta só porque sim, com um batalhão de jornalistas atrás, obviamente.

 

E destes dois cultos se alimentam as pessoas, e destas pessoas se alimentam as redes sociais.

Antigamente eram poucos os que podiam promover o seu culto da personalidade, pelo menos em larga escala tal como eram poucos a promover o culto do sangue.  Algo reservado às cúpulas do poder.

Hoje em dia isso também foi democratizado, sobretudo pelas redes sociais, e todos procuram quer encontrar sangue quer instigar a mais sangue. O culto da personalidade também se democratizou e qualquer um de nós, sobretudo se promover o culto do sangue, pode alimentar o culto à sua persona.

Descobre-se que o lado social da coisa é a disseminação em curto espaço de tempo do que posso chamar de estupidez natural.

É mais fácil eu lançar uma petição para a demissão de alguém que tenha aceite o banquete no panteão nacional do que lançar o desafio para um debate construtivo para o futuro. É mais fácil, em ultima instancia, mobilizar pessoas para destruir do que para construir.

 

Se somos os mesmos selvagens que gostavam de lapidar pessoas? Sim, lamentavelmente somos. A embalagem tornou-se muito mais refinada, mas o conteúdo é precisamente o mesmo.

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