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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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O abismo entre a ordem e a desordem.

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De justiça pouco sei, o meu conhecimento está na ordem do empirismo. No entanto, penso-a e repenso-a e, enquanto isto, aos poucos, ela vai entrando em diferentes realidades descontextualizadas das suas funções. O atual judicialimo, crescente, começa a interagir com as questões políticas, com demasiada frequência. 

Vejamos os casos mais recentes que estão acontecendo no Brasil e, aqui ao lado, em Espanha. Não é meu objetivo tomar posição, nem a favor nem contra, mas somente refletir sobre os acontecimentos vividos. Comecemos pelo segundo, por Espanha. Os juristas e juízes criaram em torno do caso Puigdemont, um ativismo judicial em que, tendem a assumir, cada vez mais, influências em poderes que, não fazem, diretamente, parte das suas funções. Entram na espera politica sem qualquer espécie de pudor. Puigdemont e um grupo de nacionalistas catalães deveriam, hoje, tomar posse dos cargos para que foram eleitos. Em vez disso, alguns estão presos e outros refugiados fora de Espanha, simplesmente por pensarem diferente; por defenderem aquilo em que acreditam: uma República para a Catalunha. Não cometeram crimes, nem contra pessoas nem contra a sociedade, estão presos e refugiados por acreditarem num ideal. Proibidos de exercerem os seus direitos cívicos, não poderão ser investidos para o governo da Catalunha; Rajoy não o permite e os tribunais também não.

Viajemos até ao Brasil. Lula é o favorito dos eleitores brasileiros nas próximas eleições presidenciais. Com receio que torne a assumir o poder, os tribunais declararam a sua prisão, impedem-no de sair do país e tentam frustrar a sua futura eleição. Claro que a corrupção é para ser condenada, mas primeiro, tem de ser provada em tribunais isentos e descomprometidos com o poder político. Lula retirou alguns milhões de pessoas da pobreza, ao contrário dos que agora o tentam condenar. Se se provar que a corrupção o atingiu, que seja condenado, mas, certamente, não deixou de atingir o atual poder instituído.

Entre Lula e Puigdemont as diferenças estão tão esbatidas que se diluem nas realidades, ao serem analisadas, apenas, à luz da justiça. A verdade é que, para se assumirem funções de poder, tem de se estar de acordo com os ideais estabelecidos por juízes endeusados e detentores de demasiadas influências.  Ter o apoio da maioria dos cidadãos pode significar crime se não se identificarem com o poder judicial.

O abismo entre a ordem e a desordem esbate-se nas fronteiras da liberdade e, para tal, contribuem os juízes totalitários, que se opõem às causas das liberdades adquiridas.