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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Numeral Ordinário

Depois de seculos de regimes mais ou menos autoritários, mais ou menos severos, o mundo foi descobrindo a república no séc. XX e depois de todas as consequências da Segunda Guerra Mundial, tudo se escreveu em nome da igualdade e direitos do Homem.

 

Parecia que finalmente nos encaminhávamos rumo a uma sociedade há muito idealizada de paz, progresso e justiça.

 

A verdade é que entrados no Séc. XXI nada disto se concretizou e na verdade assistimos hoje a uma diluição das conquistas feitas muitas vezes através do sangue de alguns bravos corajosos que caíram para eu hoje poder estar aqui a escrever isto sem medo.

 

E se esta é a minha verdade, noutros cantos do mundo ainda se luta pela liberdade e por um Estado de direito. Luaty Beirão coloca em causa em sua existência em nome de algo que para nós se tornou tão banal que deixámos sequer de valorizar a sua ausência.

 

Prova disse é que nos deixámos tornar em numerais ordinários e nem sequer nos importamos muito com o facto. Aliás, por cá 38% da população votou na perpetuação desse principio em que os números são muito mais importantes que as pessoas.

 

Hoje o importante quer para as empresas quer para o Estado é a relação entre o custo e a receita. Nas empresas as responsabilidades foram sendo empurradas para os funcionários diminuindo os custos da empresa. O Estado tenta fazer o mesmo diminuindo a dimensão do Estado Social como sendo coisa boa e tem vindo a preparar o caminho para privatizar as águas, educação, saúde… Isto resulta directamente nas questões na diminuição dos custos e responsabilidades mantendo as receitas em forma de contribuições e impostos.

 

E o que mais inquieta é que as pessoas não têm percepção que não há tanto tempo quanto isso as pessoas viviam muito melhor e a única diferença, para alem das escravidão em que o povo vive, é que o numero de milionários era substancialmente inferior e o seu aumento de riqueza era feito de modo mais lento e consistente.

 

Conclui-se assim que boa parcela das pessoas é um número e gosta de o ser, afinal, ser um número é melhor que a ideia de que não se é nada…