Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Ninguém quer saber do Ruben Cavaco

 

É preciso dize-lo. Ninguém quer saber do Ruben Cavaco.

O que todos andam à procura é de sangue dos irmãos que por obra do acaso são iraquianos de onde se assume que são muçulmanos e a isto acresce a polémica por terem imunidade diplomática por serem filhos do embaixador do Iraque em Lisboa.

Sangue, muçulmano, escândalo internacional. Que mistura fantástica para vender jornais!

Titulo no Expresso.pt de hoje: “Padrasto de jovem agredido admite terceiro envolvido no caso de Ponte de Sor”.

O título pede sangue de mais um e isso é revelado precisamente pelo padrasto do Ruben que diz no corpo da notícia, longe dos olhos dos leitores de “gordas” que a família não foi contactada nem pelos presumíveis agressores nem pelas autoridades. Exceptua-se aqui o Prof. Marcelo que no calor do momento ligou para o hospital para saber como estava o “rapaz”.

Já sobre os presumíveis agressores as notícias são diárias esmiuçando todos os detalhes da vida dos rapazes.

Não quero explorar muito as questões sobre imunidade diplomática porque é muito fácil reclamar sobre elas num país com direitos e garantias mas as regras de imunidade que por cá se praticam são as mesmas que se praticam noutros pontos do mundo onde a liberdade e justiça podem não existir. Ainda assim, e seja em que ponto do mundo for, nenhuma imunidade diplomática poderá salvaguardar sujeitos que tomam a iniciativa do ataque. Quanto muito, e por uma questão de imparcialidade, um corpo diplomático deve responder num tribunal internacional e a ser o caso, cumprir pena em terreno neutro.

Facto é que os dois irmãos na companhia ou não de um terceiro individuo poderiam ter matado um jovem e a imunidade seria a mesma, aquela que lhes permitiria (permitirá) sair impunes da ocorrência.

Mas voltemos ao que interessa, as pessoas querem sangue.

Não sou apologista de violência e esta só deve ser considerada quando mais nada for solução. O suposto amigo do Ruben Cavaco diz que ele e o grupo de amigos não provocaram os irmãos iraquianos. Já Haider e Ridha dizem que foram atacados primeiro verbalmente e depois fisicamente por um grupo de 6 jovens.

Ao regressarem ao bar, onde tinham deixado pertences caídos, voltaram a encontrar Ruben e a discussão recomeçou. 

Vamos a factos: os gémeos dizem que estavam na companhia de outros amigos quando foram provocados e atacados da primeira vez. Os amigos não fizeram nada para os ajudar?

Os gémeos dizem que foram atacados fisicamente já fora do bar por 6 jovens mas nenhum dos dois apresenta qualquer tipo de ferimento visível resultante desse ataque.

O amigo de Ruben diz que este saiu de onde estavam com a namorada mas que este iria ter com ele novamente. Sendo que a namorada não esteve envolvida nos confrontos, nem os amigos, assume-se que quando os gémeos encontraram Ruben este estaria sozinho.

Fazendo as contas este perdeu a vantagem de 6 para 2 ficando agora ele contra os gémeos que são mais velhos que Ruben.

Vamos assumir que os gémeos tenham sido provocados e até humilhados de variadas formas. Sendo que não os vejo minimamente feridos há algo que justifique violência suficiente, mesmo na alegada legítima defesa, para partir diversos ossos faciais ao ponto de colocar outro em coma?

Não me importa se são iraquianos, transmontanos ou alentejanos.

Importam-me três coisas:

A ser verdade que o grupo de Ruben provocou com comentários racistas e xenófobos que estes sejam punidos pelo facto. O segundo acto não iliba um primeiro.

Que os gémeos sejam julgados pela violência cometida como qualquer outro cidadão e cumpram o que tenham a cumprir como outro cidadão normal.

Que a imunidade diplomática não entre no campo do “vale tudo” e que se criem condições legais internacionais para que o respeito e liberdade de ambas as partes seja cumprido.

Não quero matar o mensageiro mas também não quero que ele me mate a mim.

Fora estas considerações, é preciso saber que não fosse o facto de os gémeos serem filhos de um embaixador e provavelmente esta noticiam só apareceria no Correio da Manhã nas notícias de mortos e facadas.

 

 Decreto-Lei n.º 48295. D.R. n.º 74, Série I de 1968-03-27

 

32 comentários

Comentar post

Pág. 1/2