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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Não há discursos como estes - Avante (2015/2016)

 

 

Uma coisa que eu não aprecio é políticos e politicas cata-vento.

O PCP e os seus militantes dizem que são sempre rígidos perante a sua ideologia e no seu discurso, descubro eu que sofrem de um mal muito nacional, a memória curta.

Não há muito mais que um ano, discutindo com um militante comunista, ia-lhe dizendo que o discurso de Jerónimo de Sousa começada a dar a ideia de um possível diálogo de convergência. Eram mensagens subliminares, num discurso em que em quase tudo metia o PS no mesmo sado de gatos do PSD e CDS mas que quanto mais se aproximavam as eleições mais ia dizendo “se o PS estiver a fazer um Governo verdadeiramente de esquerda…”. Mas este discurso só apareceu a duas semanas das eleições.

Antes disso eram completamente contra esse tipo de ideias. Podemos verificar isso aqui, aqui ou aqui.

O discurso passava muito por “não podemos convergir com um partido responsável pela entrada na troika em Portugal”.

Direi eu que os partidos responsáveis pela entrada na Troika em Portugal foram todos os que estavam na oposição e chumbaram no parlamento o PEC-IV. Mas aqui tenho de dar o benefício da dúvida dada a subjectividade da questão. Teria resolvido ou apenas adiado?

A 15 de Setembro de 2015, num debate entre Catarina Martins e António Costa, tudo muda. Ao minuto 61, depois de uma hora a explorar os podres do passado do PS, Catarina Martins diz com ar de quem tem os trunfos todos na sua mão que tem 5 questões que bloqueiam a “geringonça” e que se o PS ceder o BE avança na convergência.

A comunicação social sempre a dar destaque a Mariana Mortágua que aparece SEMPRE a acompanhar Catarina Martins, o BE passou de moribundo a terceira força politica nas sondagens.

O PCP tinha duas hipóteses: ou encarneirava na convergência ou mantinha-se fiel ao seu discurso de sempre e poderia acabar como a ovelha negra da história permitindo um Governo de direita ou forçar uma coligação entre o PS e o PSD.

A “geringonça” foi o compromisso possível para nenhuma das partes abdicar da sua palavra para com os seus eleitores e ao mesmo tempo dizer que bloqueou um Governo de direita.

Nos debates quinzenais a “geringonça” vai-se defendendo e viram-se todos para atacar a direita, cá fora vão lançando umas farpas para legitimar a sua independência politica. Não se comprometem no Governo ainda que estejam claramente dentro dele.

É com o PCP, PEV e BE que as medidas são aprovadas ou não em parlamento. É com o apoio destes que o OE é ou não aprovado. Não estando representados no Governo, são cúmplices.

Por isso acho curioso ouvir o discurso de Jerónimo de Sousa vir agora, depois de dizer que só formaria com o PS um verdadeiro Governo de esquerda se o PS assumisse medidas de esquerda, dizer que este é um Governo minoritário do PS como se o seu aval fosse coisa somenos.

Podemos comprar o discurso de 2015 e 2016 em que o PS foi referido 20 vezes face a meras 3 referencias este ano para os camaradas verem que ainda são diferentes.

Não me inquieta minimamente que o PCP/PEV/CDU seja diferente. Inquietamente a falta de espinha dorsal em que se quer agradar a gregos e troianos mas sem coragem para assumir que nem sempre é possível ganhar tudo nem a coragem de assumir o protagonismo que lhes era exigido.

O mesmo se aplica ao BE.