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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Município da Amadora Segrega Munícipes

 

 

A Câmara Municipal da Amadora decidiu instalar 103 camaras de videovigilância nas ruas do município. Não se ficando por aí, publicita-o com um cartaz de escolha no mínimo duvidosa.

A primeira questão reporta diretamente à instalação das ditas. Elas servem a quem e para quê?

Para o sujeito menos atento de facto pode dar a falsa sensação de segurança, mas tem um efeito placebo, mas que na verdade não altera nada.

Basta visitar as páginas de pasquins noticiosos para verificar a quantidade de criminalidade praticada sob o olhar do Big Brother. Nem sequer há um critério onde ocorrem os assaltos. Quando o assalto é feito a uma gasolineira, não sabe o meliante que tem videovigilância?

Quando o assalto é feito a um banco ou ourivesaria não sabe o assaltante que está a ser vigiado?

Quantos assaltos ocorrem dentro de transportes públicos com placas a anunciar videovigilância?

Quantos assaltos ocorrem debaixo da videovigilância privada?

Sabendo desses resultados nulos, a quem serve a dita videovigilância?

“gaita fui assaltado, mas alguém filmou o assalto para mais tarde recordar…”

Observando a inutilidade da instalação das ditas não consigo ainda encontrar quem beneficia com a sua instalação. É um pouco como os radares que andaram a montar por montantes elevados que depois são vandalizados e passam a ser apenas um mobiliário urbano sem função e sem reparação…

Vamos então ao cartaz:

O cartaz é branco com inscrições em tons de preto e rosa, de fácil leitura e compreensão.

A imagem recai numa família constituída por um casal heterossexual com dois filhos e o avô, todos felizes e contentes a olhar para o infinito. Quase parece um cartaz religioso, mas não é.

Poderia ser uma imagem inocente, mas não é. Quanto muito é uma imagem negligente de um município gerido por um partido que ainda se diz de esquerda, o PS, negligente como aquelas imagens de cartazes que resultaram em argumentos de batalha nas ultimas legislativas.

Se este cartaz fosse colocado num município de interior provavelmente a imagem não seria motivo de observação, mas não é. É um cartaz do Município da Amadora, um dos, senão o que mais diversidade étnica tem.

Quem escolheu a imagem negligenciou esse facto ou foi intencional?

Se este tema ganhar as devidas dimensões será alegada negligencia ou ausência de intencionalidade, mas a verdade é que a imagem demonstra uma família branca salvaguardada da criminalidade dos outros, os que não são brancos e não têm famílias estandardizadas.

Por esta altura já estão a alinhavar os comentários sobre o esquerdalho que escreve em defesa das minorias. Estou certo que serão os mesmos que fazem gaudio por ainda não terem apanhado Pedro Dias fazendo dele o bom herói que não é apanhado pelas autoridades.

Não é a etnia que promove a criminalidade. É a desigualdade social e a injustiça. Basta verificar que com a crise e o desemprego a criminalidade, sobretudo a pequena criminalidade, aumentou talvez numa subida em percentagem igual à aquisição dos bens de luxo.

A criminalidade não se pauta pela cor ou credo, mas porque a sociedade tal como está construída facilita um desajuste enorme para as minorias discriminando-as à partida.

Portanto temos camaras de videovigilância que não resolvem a criminalidade até porque em ultimo caso se ela não acontece ali irá acontecer noutro local, mas alguém irá ganhar com isso e um cartaz que promove ainda mais a discriminação, a ostracização e o medo face às minorias.

A Amadora do PS deu um tiro no pé…