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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Mito Urbano: Maioria Absoluta

 

No outro dia um sujeito questionou: “porquê nós, um partido novo e pequeno em vez de votar num partido maior de esquerda para que este tenha mais peso no parlamento e enfrente com mais força o centro-esquerda e direita?”

A resposta é: E porque não?

Porque é que um Governo tem de ser formado pela maioria de um partido?

Porque é que temos de bipolarizar tudo? O bom e o mau, o céu e o inferno, a esquerda e a direita…

Quando dividimos as coisas apenas em duas partes como se fossem pratos da balança, acabamos por enfiar tudo dentro do mesmo prato do conjunto maior quando na realidade a verdade é totalmente diferente. Nos últimos 40 anos temos votado numa coisa a que chamam de “Centro”.

A ideia de Centro-Esquerda e Centro-Direita é só para confundir porque ambos são de centro. Se imaginarmos um eixo das abcissas em que o zero é o centro e fazendo um círculo rosa e outro laranja, poderemos verificar que a maioria dos dois círculos estão sobrepostos e apenas uma pequena parcela ora foge mais para a esquerda ora foge mais para a direita. Mas que não restem duvidas, a maioria do espaço político é comum a ambos os partidos e normalmente opõem-se apenas por estarem em papéis inversos naquele momento.

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Este Governo, felizmente a terminar funções, foge um pouco a regra e foi profundamente neoliberal e por isso mesmo, muitos dos fundadores saíram e outros têm-se manifestado contra o trabalho deste Governo.

Mas como este Governo representa apenas 10% dos últimos 40 anos, que assim dito até é muito, olhando para a história, PS e PSD são partidos irmãos e como tal, votamos sempre nos mesmos interesses familiares. Ambos dizem que são o melhor irmão mas na prática, pouco muda.

Mas qual o motivo que nós, cidadãos achamos que temos de dar o voto útil para que um partido governe com maioria absoluta?

Reduzamos então ao mínimo denominador comum, pessoas:

Se eu viver sozinho na minha casa, tudo o que eu faço irá depender da minha vontade. Eu assumo os riscos, eu assumo os danos e tiro proveito dos meus sucessos. É fácil, agora apetece-me ir a Madrid almoçar e vou. Se faltar dinheiro no fim do mês, paciência, logo se vê…

Se eu viver com alguém, as decisões passam a ser tomadas em conjunto e andas de alguma decisão menos reflectida, teremos de negociar com essa pessoa.

Se eu decidir ir a Madrid, a outra pessoa irá questionar-me se depois temos dinheiro para a ultima semana do mês. Se não tiver, essa pessoa irá colocar-me a questão se eu consigo arranjar mais dinheiro extra para esse devaneio ou irá simplesmente dizer-me que não será possível. Ou, negociando entre os dois, poderemos chegar a um acordo em encolher noutras despesas normais para financiar a ida a Madrid.

Quantas mais pessoas partilharem da decisão, mais pessoas opinarão sobre o mesmo tema até que se chegue a uma conclusão.

Na política isto é igualmente possível a não ser que os interesses das direcções partidárias não queiram. Senão vejamos:

Assumindo que o PS ganha sem maioria ou perde mas apenas a esquerda unida pode governar. A CDU, o BE, o LIVRE podem exercer mais a sua influência coligados ou fazendo apenas oposição?

É do interesse dos partidos melhorar a vida dos cidadãos ou é interesse uma existência de tudo ou nada? Ou é apenas uma desculpa para não terem que assumir a responsabilidade e o dedo crítico do povo que afinal quando são obrigados a governar, por vezes têm de negociar as suas acções?

Naturalmente que defendo o LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR (L/TdA). Acho que temos o melhor programa nas mãos dos melhores candidatos. Mas entre o que eu acho e o resultado eleitoral, vai uma grande diferença. Garantidamente que nós iremos ganhar as nossas legislativas mas com toda a certeza não iremos ganhar AS legislativas. Com apenas um ano de existência, sem grandes oportunidades de demonstrar o que somos e pelo que somos, numa comunicação social que intencionalmente ignora os mais pequenos e galvaniza os grandes, nas mãos de cidadãos carregados de anticorpos para políticos, não é fácil atingir a vitória. Mas conquistar um grupo parlamentar será já uma grande vitória!

Mas apesar de ser esta a minha escolha, apesar das minhas rejeições a mais ou menos pontos dos programas dos partidos de esquerda, não nego eu nem nega o L/TdA um diálogo de convergência com os partidos de esquerda de modo a permitir que seja a esquerda a tomar posse do Governo.

Se em casa conseguimos dialogar e convergir, se no trabalho conseguimos dialogar e convergir, se no clube do bairro conseguimos dialogar e convergir, porque achamos que não é competência dos partidos fazerem o mesmo e temos de aplicar o inútil voto “útil”?

É TUA competência escolher o partido que julgas ser melhor. É competência dos partidos DIALOGAR de modo a assumir a responsabilidade que lhes é delegada pelos cidadãos e fazer o que é melhor para o país ao invés de fazerem o que é mais fácil, ficar na oposição sem assumir a responsabilidade.

MUDAR está na TUA mão.

És LIVRE, é Tempo de Avançar