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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Matar é crime mesmo que por negligencia. Vacinação Obrigatória

Epá, morreu porque não se vacinou. Temos pena!

 

 

Anda para aí malta bem formada que defende a liberdade de escolha no que toca à vacinação, mas debrucemo-nos um pouco sobre o assunto:

O que está aqui em causa é a liberdade individual em que cada um escolhe o que é melhor para si.

Sublinhei ‘para si’ porque a nossa liberdade termina na fronteira onde começa a liberdade do outro.

Existem muitos casos em que a liberdade é limitada por causar transtorno a terceiros.

Uma que se enquadra, há alguns anos seria normal escutar a frase “entre marido e mulher não se mete a colher” e o mesmo peso era aplicado aos filhos. Hoje essa “liberdade” é crime.

 

Morreu uma jovem de 17 anos, que frequentava a mesma escola que eu frequentei, porque os seus pais acharam que a vacinação era desnecessária.

Esta decisão devia ser crime.

A primeira toma da vacina contra o sarampo é ministrada aos 12 meses de idade, não por acaso, ela acontece ao mesmo tempo que se perdem as defesas adquiridas por via da mãe durante o período perinatal.

Com 12 meses de idade falamos por quem ainda não pode falar por si e não pode nem escolher nem se defender.

É responsabilidade da comunidade garantir que esta pessoa atinja a idade de poder escolher por si.

A paternidade não é a aquisição de um produto e como tal existe um cerno numero de pressupostos que devem ser garantidos. Ao cuidador cabe entre várias coisas garantir condições de saúde.

A existência da condição da opção abre-se portas aos cuidadores que escolhem ir contra o melhor interesse daquele que ainda não pode decidir por si.

Esta jovem morreu com 17 como poderia ter morrido com 3 anos, ou 7 ou 10.

Não vacinar não só devia ser obrigatório como crime.

Não para mim que estou vacinado e como tal, exceto alguma complicação inesperada, estou salvaguardado. Crime porque alguém é condenado a ficar 18 anos à sua sorte.

Já por aí vi comentários de pena pela perda dos pais. Tenho pena da jovem, dois pais não.

Acredito que as suas convicções não comprometessem o seu papel de cuidadores, mas as suas convicções estão erradas e se não é crime para serem condenados, a tristeza e o arrependimento serão pena suficiente.

 

Pelo interesse das crianças, defendo que o Plano Nacional de Vacinação seja obrigatório e gratuito e sem opcionais para carteiras mais abastadas.