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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Marcelo é Marcelo

 

 

Marcelo anunciou-se como um Presidente de afectos, Presidente de todos os portugueses fossem de direita ou de esquerda e de facto, nos primeiros dias de mandato correspondeu ao que anunciou. Parecia passar mais tempo a plantar afectos do que a presidir.

Aceito e acolho a ideia que um Presidente venha à rua ver o Portugal real mas o que aconteceu não foi isso. Foi somente o alongar da campanha eleitoral, mesmo depois de eleito e de ter dito ao Portugal, no dia seguinte a ter sido eleito que já bastava de campanhas eleitorais.

Mas algum dia teria de parar de semear afectos para presidir. Afinal foi para isso que foi eleito e não para fazer noticias qual máquina mediática.

Começam então a surgir noticias que os afectos de Marcelo não são assim tão afectuosos.

 

Marcelo demonstra que é o Marcelo de sempre. Não me refiro ao Marcelo mediático que construiu uma personagem simpática na televisão, de opinião na ponta da língua e capaz de criticar todos da esquerda à direita, mas o Marcelo do PSD que independentemente das críticas não falhou no apoio a Pedro Passos Coelho em todas as ocasiões em que foi solicitado, mesmo nas últimas legislativas quando já era candidato presidencial, o Marcelo conservador, o Marcelo liberal, o Marcelo afilhado de Marcelo Caetano.

Marcelo é Marcelo e quanto mais for confrontado e afrontado com medidas que são opostas à sua génese, às suas bases conservadoras, menores serão os afectos.

Tipos que cultivam a sua personalidade causam-me sempre arrepios na espinha.

Recordo-me sempre de sujeitos que foram democraticamente eleitos e depois mudaram de agulha levando os seus compatriotas por caminhos ignóbeis e degradantes.

Marcelo é Marcelo.

É aquele tipo de pessoa que sem laivo de desvio ao conservadorismo. Vai à missa e tudo. Não que eu tinha alguma coisa contra quem vai à missa, apenas ilustro o quão conservador Marcelo é.

O mesmo Marcelo que apelou à união e à confiança é o mesmo que adjectiva António Costa como “optimista irritante”.

A verdade é que não sei se as vacas voam mas António costa lá as tem mantido no ar.

Ainda assim Marcelo que é Marcelo lá avisa que a estabilidade durará até às eleições autárquicas. Depois logo se verá…

Não esmiuçarei se Marcelo é melhor politico, se é mais pais patriótico ou se é um misto dos dois, mas ao menos não sai em representação do país a defender medidas firmes contra os portugueses como Nuno Melo e Rangel. Por outo lado vai bajular Merkel.

Marcelo é Marcelo e recebeu de herança de Cavaco uma geringonça mal-amanhada mas que ainda assim tem funcionado melhor que o Ferrari da PaF.

Facto é que sendo Marcelo, Marcelo, este está condicionado pelo sucesso, quer governativo quer nas sondagens, da geringonça.

Enquanto este funcionar, e funcionará enquanto as condições forem propícias, qualquer acto de Marcelo em oposição, será penalizador para o próprio e acredito que o faça.

A geringonça está muito mais dependente das condições e condicionalismos externos do que das perturbações internas.

Façamos votos que o vento se mantenha estável e favorável para que Marcelo que é Marcelo não tenha a oportunidade de soltar o Adamastor que há em si.