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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Mais um Domingo qualquer

Dantes os domingos eram grandes, enormes. Pareciam que nunca mais acabavam. Começavam de um sobressalto pela manhã. Com horas de animação na TV. E um almoço pleno e em família. Uma tarde interminável de brincadeira e a sopa nocturna que anunciava o fim daquele dia perfeito. Os domingos eram sempre uma festa.

 

No passado domingo houve também animação. A festa da democracia fez as gentes sair de casa. Encontravam-se nos cafés e às portas da secção de voto. Mas tal como nos domingos da nossa infância, nos quais muitas crianças não apareciam para brincar nas ruas, também na semana passada metade dos portugueses não apareceram na festa.

 

Essas pessoas são aquelas que se declaram possuidoras da verdade absoluta, resumida no mantra “são todos iguais”. E com isso perpetuam um alternância vazia de soluções para os seus problemas, para os problemas de toda a nação. Essas são as pessoas que se indignam a cada caso de corrupção desvendado, mas que nada fazem para castigar esta teia de interesses. Essas são as pessoas que julgam que todos os políticos são ladrões, mas que até desculpam os que deixam obra feita. Essas são as pessoas que se recusam a ir até à cabine de voto por “não vale a pena” e que depois passam 4 anos a refilar do poder eleito. Essas são as pessoas que até iam votar se soubessem que ia mudar alguma coisa, mas que nunca pensam que o seu voto pode ser o início da mudança.

 

Todos e todas que ficavam em casa em crianças invés de irem brincar para a rua naqueles domingos infindáveis perderam a sua infância. Todos e todas que ficam em casa nos domingos eleitorais perdem o poder de influenciar o país da forma como acharem mais adequada. Quando nos recusamos a participar perdemos sempre o presente e pomos em causa o futuro. Caso as pessoas que se declaram desiludidas com os partidos do sistema e a classe política escolhessem no seu voto partidos fora da lógica tradicional, estaríamos perante uma mudança radical do mapa partidário e dos agentes políticos. Novo ventos soprariam para os lados de São Bento. Um parlamento mais plural e mais próximo da diversidade da sociedade portuguesa. Uma democracia mais representativa...

 

Por isso digo (e repetirei) este mantra até à exaustão: “Os abstencionistas são todos iguais!”

 

Montijo, Domingo 11 de Outubro de 2015