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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Julgamento de José Eduardo dos Santos

 

Iniciou-se hoje o julgamento de 17 jovens angolanos, entre os quais Luaty Beirão que ficou conhecido durante o seu protesto em greve de fome.

Na verdade, ao mesmo tempo que se iniciava o julgamento aos que chamam de “Movimento Revolucionário”, começava também o julgamento de Angola mormente de José Eduardo dos Santos.

 

José Eduardo dos Santos é resultado natural do conflito geoestratégico durante a Guerra Fria e dizer que Angola vive em democracia é como colocar uma coroa de flores em cima de um monte de estrume. A guerra civil em Angola termina, claramente por falta de apoios, após a queda do Muro de Berlim e a descontinuação do conflito entre o ‘leste’ e o ‘ocidente’. Dois anos após a queda do Muro de Berlim Angola passa a ser um país 'democrático’ e multipartidário’ tendo o MPLA mudado de marxista para a Social-Democracia.

Dão-se as primeiras eleições mas com a derrota da UNITA a guerra regressa até à morte de Jonas Savimbi em 2002. A partir dai o país fica entregue ao MPLA de Eduardo do Santos que passa a praticar uma política neoliberal. Tudo isto num país que em 174 avaliados é o 13º com mais corrupção, 38º de 187 com menor índice de desenvolvimento, e com mais de 40% da população abaixo do limiar de pobreza.

 

"As forças de segurança recorreram a um uso excessivo da força contra manifestações e protestos em Angola, Burkina Faso, Chade, Guiné-Conacri, Senegal e Togo, entre outros países. Na maioria dos casos, as autoridades não investigaram os episódios de uso excessivo da força e ninguém foi responsabilizado.

 

Em muitos países, jornalistas, defensores dos direitos humanos e opositores políticos enfrentaram uma conjugação generalizada de ameaças, detenções e prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e, até mesmo, morte às mãos de agentes governamentais ou de grupos armados. Situações de repressão e restrições às liberdades de expressão, reunião e associação pacífica verificaram-se em Angola, Burkina Faso, Camarões, Chade, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Guiné-Conacri, Mauritânia, Ruanda, Somália, Suazilândia, Togo, Uganda, Zâmbia e Zimbabué.

 

Em Angola, no Burundi e na Gâmbia, novas leis e outras formas de regulação vieram reprimir ainda mais as atividades dos meios de comunicação social e da sociedade civil.

 

Em Angola, pelo menos 4000 famílias foram desalojadas à força na província de Luanda."

                Aministia Internacional

 

Como é isto possível? Apesar de todos os atropelos à liberdade dos seus cidadãos e à democracia, José Eduardo dos Santos joga pelas regras da economia de mercado. A vida corre lindamente para Angola, nem tanto para os angolanos.

E por isso mesmo os portugueses apoiam Luaty Beirão, no entanto o Governo português fecha os olhos como se não estivesse a acontecer nada. Afinal, nós temos interesses económicos em Angola e muito dinheiro por cá investido pela mão de Isabel dos Santos.

Como é possível que há três dias os advogados de defesa dos 17 presos não tivessem acesso ao processo?

 

 

Este julgamento não julgará um grupo de Angolanos, julgará José Eduardo dos Santos e o ultimo acto deste teatro disfarçado de julgamento será escrito pelo regime e dado o mediatismo que já obrigou Eduardo dos Santos a anunciar as próximas legislativas para sublinhar que ali se vive democracia, seria de esperar que o processo caísse por falta de provas concretas.

 

Mas como nas ditaduras tudo é aparência e teatro, temos de esperar para ver se é esse o resultado ou se dali sairá uma pena “exemplar”.

Seja qual for o resultado, o regime angolano já foi julgado na comunicação social internacional e não é expectável que dure muito mais… assim espero.

 

Deixo apenas uma questão aberta para terminar: Qual o paralelo entre os últimos 50 anos em Angola e a Síria?

 

Maka Angola