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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Intervenção Cidadã

Não sei se tenho excesso de activismo ou necessidade de me exceder. No fundo é irrelevante. O importante é alimentar aquela inquietação que trago dentro de mim, que faz com que alcançado um objectivo depressa encete nova jornada. Às vezes mesmo em simultâneo, multiplicando a vontade e prolongando os dias. Assim me sinto completo. Assim faço sentido. E sem qualquer tipo de presunção, assim deveriam muitas pessoas pensar e actuar.

 

O exercício de uma cidadania activa é, em larga medida, uma forma de fiscalizar o poder político. Não basta nos tempos que correm marcar comparência nos sufrágios, quando tal acontece, e esperar que tudo se resolva pelo melhor. É essencial uma exigência constante relativamente aos órgãos de poder, quer central, quer local, fazendo o escrutínio quotidiano das suas acções. Constatar os prós e os contras, avaliar e criticar. Num movimento perpétuo, as comunidades devem permanecer alerta sobre as questões que lhe dizem respeito. Esmiuçando as variáveis; reunindo-se em grupos e comissões, fazendo a análise criteriosa das medidas que nos querem impor e formar opinião.

 

Esse é o caminho. A permanente alusão à falta de qualidade dos políticos não é suficiente para que o problema se resolva. Muito menos a generalização de que todos envolvidos nesse meio são corruptos ou que querem é tacho. O que pode ser um ponto de viragem, que se consubstancie num salto qualitativo relativamente às pessoas com poder de decisão, será a intervenção cidadã. Num papel activo ou apenas fiscalizador, a cidadania deve estar presente e exigir o máximo na persecução do bem comum, coincidente com uma rota de progresso. Num compromisso ético e numa visão sustentável do futuro.

 

Em suma, basta exigir o máximo aos nossos representantes. Com certeza que já estariam à espera disso quando se prepuseram para as funções. É uma premissa essencial das democracias representativas. Não nos podemos satisfazer com a mediocridade do discurso do possível e do mal menor. Quem se perfilou com esse espírito veio ao engano e pode retirar-se…

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Montijo, 31 de Dezembro de 2015