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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Incêncios

                O fogo tem um apetite voraz. É o que penso ao ouvir as últimas notícias na rádio sobre o mais violento e recente incêndio florestal, enquanto devoro um mil-folhas comodamente sentado no barco. Ali não chega o fogo, à excepção se se incendiar o próprio barco… Mas no mato seco, uma faísca é suficiente. O vento, seu aliado natural, facilita a sua propagação, passando-o de ramo em ramo e levando-o sempre um pouco mais além.

                No Verão não chove (ou raramente sucede). O seu arqui-inimigo está adormecido. Pode-se dizer que a chuva “hiveraneia”. A água que combate o fogo sai das agulhetas bravamente empunhadas pelos bombeiros ou através das descargas dos helicópteros e aviões pilotados com destreza e coragem entre fumo e labaredas ameaçadoras. No terreno de operações há também socorristas no auxílio às vítimas e forças de segurança a tentarem minimizar o risco. Num trabalho que parece interminável e que deixa sempre um amargo de boca aos operacionais… Que tudo dão e tão pouco exigem.

                Este ano o país já leva um saldo acumulado brutal de vidas perdidas e hectares queimados. E mais uma vez se fala de falhas no ordenamento florestal e erros no dispositivo de prevenção, vigilância e combate aos incêndios. Todos os anos as mesmas lacunas são apontadas e todos os anos ficam por fazer as reformas necessárias. Fala-se de interesses, de falta de vontade política, de n razões para nada fazer. Eu apontaria principalmente a incompetência da nossa classe política…

                Que a tragédia horrível e contínua, que assola o país desde aqueles dias infernais de Pedrógão Grande sirva para reflectirmos e para implantar as mudanças vitais que possam mitigar a sempre difícil época de incêndios. Que seja desta; para que não se repita…

incendio_pedrogao_grande_Expresso_Rui-Duarte-Silva

 Foto de Rui Duarte Silva (publicada no site do Expresso)