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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Ignorancia Militante

 

 

De modo geral todos os que trabalham comigo sabem da minha actividade politica. Uns não dizem nada, outros fazem algumas piadas, outros procuram confronto.

Os que procuram confronto, são normalmente pessoas informadas e procuram debate e/ou fragilidades onde possam pegar.

Dos que não dizem nada, nada sei e francamente não vou tentar tirar deles sumo.

Os que fazem piadas dividem-se nos que fazem piadas fáceis e os que tentam provocar.

Hoje deparei-me com um dos últimos. A conversa começou pela tentativa de associar a Joana Amaral Dias ao LIVRE. Não colou, passou a fazer piadas sobre a entrega de pizzas aos repórteres. Ficaram abertas as hostilidades!

Passámos dali para o debate de António Costa com Pedro Passos Coelho de ontem e o sujeito, contra todas as opiniões, dizia que o debate foi ganho pelo Passos Coelho. Afinado pelo mesmo diapasão, defendia que seria a descida do IRC e TSU, mesmo que implicasse a subida do mesmo aos trabalhadores, a relançar a economia e a diminuir o desemprego.

Tentei demonstrar o contrário. Ou melhor, tentei demonstrar que diminuir o IRC e a TSU nas empresas por si só, só iria ampliar os lucros das empresas sem que isso se transformasse em emprego ou repartição da riqueza. Quando alguém não quer escutar, não vale a pena falar.

Mas o que me preocupou foi perceber que para ele, como para muitos, a esquerda é o PCP e o comunismo. Aliás, se perguntar aos militantes do PCP, eles também acreditam que eles é que são a verdadeira esquerda e tudo o resto ou é de direita ou são partidos criados pela direita para atrapalhar a esquerda (eles).

Argumentou ele: “Viu-se o que fez a esquerda depois do 25 de Abril, que os trabalhadores passaram a patrões e deram cabo do país…”.

Mas a verdade é outra. Perguntei-lhe eu: “ É ou não o PNR um partido de direita? Sendo então verdade que ele é de direita, é o PNR um partido de direita ou a direita é o PNR?” Senti-o baralhado com o argumento.

Custa perceber que as pessoas não possuam o mínimo de cultura politica e emprenhem de ouvido. Ouvem falar de uma rotulagem aos partidos, normalmente depreciativa, e a partir dai, não adianta apresentar factos, nem mesmo por quem faz parte dos partidos.

A luta não é inglória, mas não é fácil chegar às pessoas que não querem ser alcançadas.

Lembro-me sempre da imagem do tipo acorrentado na Alegoria da Caverna: “pah, só estás a ver sombras. Olha para trás!”.