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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Habemus Uber!

 

 

Não é a primeira vez que digo que não sou fã de taxistas. Serei o primeiro a concordar que a arvore não faz a floresta, mas a quantidade de arvores que mancham a floresta não é tão pequena quanto isso.

Para exemplo uma noite, eu num grupo de 6 decidimos atravessar Lisboa de táxi. Iriamos beber e assim estávamos salvaguardados de balões indesejados. Apanhámos dois táxis de modo aleatório. Ambos os condutores estavam alcoolizados, um deles decidiu fazer uma corrida com o primeiro e acabou perdido nas rotundas de Monsanto. Para alem disso é-me normal circular em Lisboa e tenho de me cruzar vezes demais com taxistas, vezes o suficiente para me perguntar se eles compraram as ruas de Lisboa no monopólio.

Concordarei que existem bons profissionais, mas volto a sublinhar que os que são maus profissionais, não sabendo se são uma minoria ou maioria, mancham a imagem da classe.

Dito isto somos confrontados com a Uber que não é mais do que uma aplicação para telemóvel.

A Uber tem facilitado o uso da sua aplicação usando a lei a seu favor, mas talvez de um modo pouco ético. Talvez não existisse na verdade outra forma.

Um sujeito inscreve-se nas finanças como agente de animação turístico e após o licenciamento pelo Turismo de Portugal passa a poder circular com passageiros tal como um tuk-tuk. Ainda não vi os taxistas a manifestarem-se contra os tuk-tuks como contra a plataforma Uber. Para poder circular com estes passageiros naturalmente que terá de respeitar uma quantidade de regras, isto do ponto de vista legal.

Ora assim dito percebe-se que usa de uma finalidade legal para atingir outra, mas ainda assim, legal. Pouco ético, mas legal.

Diria aqui que neste particular tenho de dar razão aos taxistas, para serviços semelhantes, regras semelhantes. Mas a Uber, a dita aplicação nunca rejeitou mudanças na legislação, alias até lhe é favorável que assim seja para que não existam conflitos com os seus associados.

Na prática a Uber permite pedir um motorista e antes do pedido permite verificar se o motorista está bem cotado e escolher aquele ou outro ainda que mais distante. O pedido inclui o trajeto e quando o utilizador entra na viatura já sabe quanto vai pagar. A fatura é automática e não é passada pelo NIF da Uber, mas da empresa para a qual o condutor trabalha, ou seja, uma empresa portuguesa. A fatura é automaticamente enviada para o email e se o utilizador usou a internet para pedir um “Uber” também pode consultar a fatura no seu email.

Portanto, com a Uber o utilizador não tem de se sujeitar ao primeiro da fila. Pode escolher. Não importa o tempo que demore, já conhece quanto vai pagar. Em termos de impostos, ao Estado calha o mesmo.

Ao contrário do que diz o PCP a empresa portuguesa é que paga impostos em Portugal. Naturalmente que a Uber portuguesa recebe a comissão pelo serviço mas sendo Uber Portuguesa mais uma vez o imposto é portugues. Naturalmente que alguma parte irá para a Uber Internacional mas não vejo o PCP ou o BE ou seja quem for a reclamar da AutoEuropa ou da Renault Cacia. Para onde vão os lucros destas empresas que ainda por cima fartam-se de receber apoios do Estado para não sair?

 

Os taxistas ao ouvirem falar que a Uber e similares iriam ter legislação protestaram.

E outra coisa não seria de esperar. O que a ANTRAL quer, o seu presidente e a sua vasta frota de táxis quer é que a Uber não opere. Mesmo que o Governo tivesse uma proposta com condições iguais às dos taxistas, exceto modo de faturação porque essa é uma das diferenciações entre um serviço e outro, a ANTRAL não iria aceitar ainda que tenham passado o tempo a dizer que aceitavam a Uber desde que tivesse enquadramento legal.

O que eles queriam dizer é que aceitariam uma legislação que lhes fosse favorável face à Uber ou que fosse de tal ordem prejudicial para a Uber que lhes tirasse a competitividade.

Assim não parece ser o caso. E francamente se eu defendo os transportes públicos não sou de todo favorável aos taxistas em Lisboa.

Bem-vinda Uber, bem-vinda legislação que lhes permite a existência, bem-vinda a paragem em protesto dos taxistas porque taxistas parados, dia santo em Lisboa!

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