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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Governo de Fraca Figura

 

Não é segredo. Sou de esquerda e tudo o que vem da direita assumo à partida que bom não é por certo. No entanto algumas, raras, vezes lá aparece alguém de direita minimamente coerente e minimamente aceitável.

João Calvão da Silva está nos antípodas do aceitável e a única coisa que me consola é que é ministro do Governo mais curto da história da democracia nacional.

Este mesmo tipo, antes de ser ministro, foi o mesmo que deu um parecer favorável ao pagamento de 14 milhões de euros pelo construtor civil José Guilherme a Ricardo Salgado.

Agora que tomou posse e logo na primeira, e espera-se que ultima, aparição, demonstra toda a sua alma como um livro folheado ao vento para quem o queira ler.

João Calvão da Silva é aquele tipo de sujeito conservador, diria até que é de tal forma conservador que é da Campingaz. Vem conservando a sua ideologia há mais de 40 anos e tem escrito na testa “Deus, Pátria, Família”. Acrescento aqui um liberalismo desgarrado o que não podia deixar de ser dentro do espirito do PSD actual.

Ora na sua primeira intervenção diz que o senhor que morreu arrastado pelas águas “…e ele entregou-se a Deus, e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado… “.

Com a graça do Senhor sou ateu e muita confusão me faz misturar religião com política sobretudo quando são os políticos a fazerem a mistura. É quase como misturar natas com limão. Se nunca experimentaste, experimenta e logo descobres o resultado.

Claro que isto por si só não me faria gastar latim. O que não faltam para ai são beatos na PaF. Já a ex-ministra Assunção Cristas disse que se tinha inspirado em Deus, Cavaco aqui e ali apela aos milagres de Fátima… é assunto banal pelo lado da Lapa e do Caldas.

Pertinente é o facto deste sujeitinho parecer um bacorinho a rebolar na lama trazida pelas chuvas de ontem e nessa alegria deslavada fazer campanha pelas companhias de seguros privados. Não há melhor campanha publicitária do que aquela que é produzida no meio da desgraça e o bacorinho lá foi esboçando uns sorrisos retraídos enquanto publicitava.

Não estou com isto a dizer que as pessoas devam ou não devam de alguma forma assegurar momentos menos felizes. Infeliz é o infeliz aproveitar-se da infelicidade para promover as instituições privadas.