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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Geringonça a perder peças a caminho das legislativas de 2019

 

 

… e com o OE2018 abrem-se as hostilidades para as legislativas de 2019.

Ontem estava a olhar para a página da, agora Altice, onde verifiquei que em 1989, Cavaco Silva transforma, os então TLP, em Sociedade Anónima, totalmente detida pelo Estado, para 6 anos mais tarde começar a privatizar. Em 1986 estávamos muito longe das questões dos monopólios ou da EU querer acabar com a participação do Estado em serviços estratégicos. Era só, e apenas, uma questão ideológica, mais tarde continuada por Ferreira Leite, em nome do défice.

 

E todo este enquadramento apenas para exemplificar que, se há muitas coisas que se fazem de navegação à vista, muitas outras são planeadas para parecerem navegação à vista, mas não são.

As legislativas de 2015 decidiram-se no debate entre António Costa e Catarina Martins.

Catarina Martins já trazia problemas de casa, de dentro do BE, de uma fação que queria maior abertura ao dialogo. Fora do BE, o LIVRE apelava à convergência, e não se sabia se o efeito Mortágua se refletiria ou não nas urnas. Ok, sabia. Onde estava Catarina Martins, estava Mariana Mortágua e a imprensa fazia questão de as mostrar. Se fosse do PCP seria agora que eu ia dizer “estão a ver como o BE é um braço da direita para segregar a esquerda?!?”.

 

Nesse debate Catarina Martins, bem no fim, e contradizendo tudo o que tinha dito até então, disse que havia a hipótese de convergência.

 

O PCP, tal como o BE, sempre disseram que NUNCA se aliariam ao partido que levou o país a curvar-se perante a Troika. Mas depois de um “nunca” tão irrevogável como o de Paulo Portas, não restou ao PCP seguir as mesmas palavras e assumir a possibilidade de alinhar com o PS.

 

Obviamente que nem PS, nem PCP, nem BE, queriam nada disto. (O PEV está fora disto propositadamente porque quem não se submente a sufrágio, não racha lenha).

O PS preferiria a maioria absoluta. PCP, ou o conforto de uma oposição com expressão ou uma revolução comunista. O BE, vá-se lá saber…

Tanto assim é que, ao contrário do partido do táxi, nem BE nem PCP, quiseram ministérios.

É muito giro quando criticamos e dizemos o que fazer com a carteira dos outros, mas quando temos de demonstrar trabalho, a coisa pia mais fina. Repare-se que numa coligação assim, não há hipótese de uma revolução politica e na verdade, mesmo com uma maioria para o PCP ou BE, não aconteceria. Veja-se a Grécia. E se queremos meter o Reino Unido ao barulho, fazem o brexit porque podem, o que não acontece na Grécia onde também podem tentar, mas afundam economicamente.

Se eu fosse António Costa, metia um ministério forte nas mãos do PCP, o da Ministério da Educação, por exemplo. E ao BE o Ministério da Economia.

 

 

Assim, assinaram um acordo, para a história, da “geringonça”, onde validam a existência do Governo, não o comprometem, mas também não se responsabilizam.

Tanto assim é que já recentemente Jerónimo de Sousa veio dizer que numa próxima oportunidade, não voltará a assinar acordos. O BE acaba o debate do OE2018 a dizer que António Costa não cumpre com a palavra… os mesmos que diziam que NUNCA fariam acordos com o Partido Socialista.

Nesta altura do campeonato, fazer cair um Governo que por circunstancias da conjuntura têm permitido alguns sucessos económicos, seria contraproducente para ambos. Nenhum tem uma bandeira forte que os desmarque nem têm tido nenhum papel de relevo que lhes permita subir nas sondagens ou sequer uma aproximação ao PS.

Por outro lado, precisam de fazer barulho para se desmarcarem desta governação. Isso é obvio no discurso feito ontem onde todos os que votaram a favor, cometeram o pecado do autoelogio, dando a ideia que se o Governo fosse da sua inteira responsabilidade, seria bem melhor.

Por comparação aos dois anteriores debates de OE, onde a esquerda falava quase a uma só voz, agora começam a recuperar a sua “normalidade”.

Marcelo, enquanto vai metendo uma cunha ou outra, daquelas populistas para aparecer na TV, Marcelo que vai-se metendo e opinando sobre tudo, veio a correr dizer que o Governo vai até ao fim do mandato.

 

Quanto ao Governo, esse faz questão de se atrapalhar a si próprio com discursos despropositados, descoordenados e fora de tempo. Talvez seja por ter de agradar a gregos e a troianos, talvez seja um naipe de ministros que de modo geral não se fazem acompanhar de boas equipas. A verdade é que até ver, os grandes casos acabam por ter volume, não pelo evento em si, mas porque o Governo, de uma forma ou de outra não sabe gerir a evolução dos acontecimentos. Quem tem ganho com isso têm sido os populistas, em Particular Assunção Cristas.

Se as coisas não têm sido fáceis, estou certo que não se facilitarão em 2018 e 2019. Os partidos a posicionarem-se para as legislativas e não deixarão António Costa em descanso e depois de aprovado o OE2019 será cada um por si.