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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Eutanásia, liberdade algemada

 

 

Há poucas alturas em que me sinto irritado e este é um desses momentos. Sinto-me assim porque sinto que os Homens que foram eleitos pela democracia para o parlamento português, traíram a dignidade e a liberdade individual.

O parlamento chumbou os quatro Projecto-Lei para a despenalização da eutanásia.

Antes de mais, e nestes temas de consciência, eu não acredito em votações em bloco partidário. Em 229 votantes apenas 5 se abstiveram, apenas um deputado do PS votou em sentido contrário à sua bancada.

 

Esta é uma das minhas poucas causas e como tal, estou frustrado.

Antes de mais é preciso assumir que a vida começa sem ser pedida e nem mesmo as personagens bíblicas, aquelas que se diz terem vivido centenas de anos, sobreviveram à morte.

A morte é certa sem que à partida se saiba como, quem, quando e onde e porquê. Parece os w’s do jornalismo.

Bom, devemos dizer que o direito à vida é um direito fundamental e inviolável. Quando este conceito é formulado, tem em mente quem matava arbitrariamente sem qualquer respeito ao próximo. Quer isto dizer que é proibido matar e quem o faz terá de ser condenado.

 

Quando falamos na eutanásia, falamos de outra coisa, falamos de algo que os que hoje venceram, usaram como argumento base, que lido a direito diz-nos que o Estado passa a matar pessoas. Pior, atrevessem-se a dizer que a eutanásia era um substituto para os cuidados paliativos e foi este argumento que o PCP usou para se unir à direita.

 

O que estava a ser apresentado não era mais do que a liberdade individual para, em caso de doenças que castrassem a dignidade, fossem terminais e/ou fossem causa de dor insuportável, O PRÓPRIO, e não outro por ele, poder decidir antecipar o fim da SUA vida.

 

É tipo suicídio só que é um gajo que já sabe que a morte será para breve, vai definhar qual passa a secar ao sol, irá morrer alimentado a morfina, a família irá assistir a todo este sofrimento, a dor psicologia será francamente maior que a dor física. Um terço dos portugueses sofre ou sofrerá de cancro, veremos se somos parte dos 33% ou dos 66%.

 

Ninguém está a dizer que quem está às portas da morte será eliminado precocemente.

Ninguém está a dizer que outro que não o próprio possa decidir findar a vida do que morre.

Ninguém está a dizer que a eutanásia substitui ou tenta diminuir cuidados paliativos.

Estou, estamos a dizer que o individuo deve ter o poder de decidir sobre a PRÓPRIA VIDA.

 

E hoje a democracia falhou porque por defeito, a democracia não deve em momento algum atropelar direitos e garantias e hoje atropelou a liberdade individual.

A democracia é feita pelo Homem e é praticada pelo mesmo. Tanto pode ser usada de forma construtiva como antes pelo contrário.

Quantos ditadores não foram eleitos antes de serem considerados ditadores?

A condição venezuelana foi votada e até mesmo a democracia está em causa no Brasil depois de se colocar no poder um sujeito que não fez mais do que um golpe de estado legal.

 

 

O parlamento português, hoje, defraudou-me porque venceu a crendice por oposição ao conhecimento e à liberdade. Hoje estou irritado e frustrado porque a liberdade, afinal, não é uma garantia se não agradar a quem manda.