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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Estado, alegadamente, ladrão.

 

 

O Estado é, alegadamente, tendencialmente ladrão.

Não basta todas as histórias, umas provadas outras apenas que alegadamente são verdade, mas o Estado é de modo natural e oficial, ladrão.

O ano passado fiz uma encomenda de dois itens de um desses sites made in China no valor aproximado de 110€.

A encomenda demorou a eternidade costumeira, mas lá chegou a terras lusas. Os CTT enviaram uma carta a dizer que a Alfandega precisava de alguns dados para proceder em conformidade. Segundo informação os dados podiam ser enviados por email e depois de desalfandegado seguiria por correio até à morada ou posto dos CTT de proximidade.

E assim, se fez. Enviou-se a fatura, numero de Cartão de Cidadão e NIF e esperou-se. Ao fim de algum tempo que se julgou razoável, voltou-se à página dos CTT onde se pode acompanhar as entregas. A encomenda ainda dizia “Aguarda desalfandegamento.” Passado uma semana, fazendo a mesma consulta, o resultado era o mesmo. Enviou-se um email para os CTT a pedir informações e passado alguns dias responderam que estavam a averiguar. Mais uma semana, mais uma consulta e tudo ainda na mesma. Novo email e passado uns dias, a mesma resposta.

A encomenda demorou 1 mês a vir da China até Portugal e já estava há mais de um mês na Alfandega.

Ao fim de uma troca de emails inconclusivos decidi um contacto mais consequente. Telefonei para os CTT. De lá uma senhora muito simpática observou no seu fabuloso computador o mesmo que eu via em casa. Ainda assim indicou-me o numero da Alfandega. Lá telefonei para a Alfandega a questionar qual era o problema para tamanha demora. Disse-me a senhora que a encomenda já tinha sido desalfandegada, que estava com os CTT e depois de lhe explicar que que já tinha ligado para os CTT e tinha sido de lá encaminhado, disse-me “aperte com eles…”. E assim fiz… sem sucesso.

Basta o que basta. Fui lá pessoalmente.

A senhora da alfandega responde-me de pronto ao olhar para o papel que a encomenda já estava desalfandegada, que tinha de ir aos CTT.

Mas não podia passar dali. Disse-lhe que alguém me tinha de dizer exatamente onde estava a encomenda porque estava farto de parecer uma bola de ténis. E ela foi francamente solicita na ajuda. Foi para os bastidores e descobriu o Santo Graal. Como a encomenda era apenas uma, mas tinha dois volumes, os CTT tinham levado um volume e deixado o outro para trás. Ao fim de três meses ninguém conseguiu dar resposta ao cidadão.

Bom, carimbou a caixa e encaminhou-me para o guichet dos CTT onde iria pagar e levantar a encomenda.

Paguei o IVA e 2,50€ de taxa de urgência. É gozo, não é? Ao fim de quase dois meses de reclamação ainda paguei taxa de urgência. Para memória futura, paguei IVAmais2,5€.

Mais ou menos um ano passou e encomendei mais um item no valor total de 35 euros, portes incluídos. Pela experiencia passada não me apeteceu atravessar mais um romance e fui logo à alfandega consciente que isso me iria custar 2,5€ extra.

Os 2,5€ extra por defeito já seguem um preceito errado porque aos CTT poupo o transporte e ordenado de quem faz o transporte e comissão dos CTT locais. Eu poupo-lhes custos e ainda pago por isso…

Bom, mas lá fui eu perder tempo consciente que já ia pagar IVA e os tais 2,5€.

Lá fui chamado à Alfandega, sem problemas, onde fui encaminhado para o guichet dos CTT onde iria pagar as taxas e receber a encomenda.

Ora bem, relembro que o item custou 35 euros já com portes de envio.

A senhora dos CTT pede 27 euros de taxas. Já tinha feito contas aproximadas a 23% de IVA sobre os ditos 35 euros mais os tais 2,5€ de taxa de urgência. Daria pouco mais que 10 euros.

Quão errado poderia eu estar…

Foram 10,95 euros de IVA, 1,80 pelo impresso (qual impresso?!?), 2,46€ de taxa de urgência e 10 euros por apreciação da Alfandega. A apreciação foi pegar no papel, carimba-lo e dar 6 passos para dá-lo aos CTT. A encomenda NUNCA foi apreciada senão por mim já no automóvel enquanto rosnava sobre os 27 euros.

Conclui-se que o Estado só pode ser, alegadamente, ladrão ao incutir um valor de taxas equivalente ao custo do produto.

Depois perguntam porque é que a malta foge aos impostos? Porque ninguém gosta de levar o dinheiro a casa do, alegadamente, ladrão.

Vão, mas é, alegadamente, roubar para a estrada!

E para os fundamentalistas que já estão a preparar as respostas “devias era comprar em Portugal para desenvolver o mercado interno!”, pergunto se o telemóvel foi fabricado em Moimenta da Beira ou se o Tablet foi feito na Baixa da Banheira. É que caso assim não seja estou certo que foi fabricado no mesmo país ou arredores, com a mesma carga fiscal e ainda tenho de enriquecer um tipo que explora funcionários, alegadamente foge a impostos e é alegadamente apanhado em escutas obscuras e cobra-me o dobro do preço pelo mesmo produto.

E para os que pensam em sair da UE, pensem que isto seria aplicado a todos os países da Europa.

 

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