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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Estabilidade Governativa - Época 2011/1015

 

Tenho diversas vezes referido que vivemos momentos históricos, daqueles que constarão nos manuais de história num futuro próximo. Hoje, às 17:15 foi declarado o óbito do Governo da coligação Portugal à Frente (PaF). Está agora ligado à máquina até que seja nomeado um novo Governo.

Antes e depois da morte anunciada os comentadores pouco se referem a quatro anos de austeridade a quem deixamos uma coroa de flores numa mão e uma taça de champagne na outra, mas todos fazem questão de sublinhar o quão diferente são os partidos que agora se unem em torno de um Governo de esquerda.

Quase todos ou mesmo todos eles dizem que este é um Governo pronto a cair ainda antes de se levantar. Uma espécie de apuramento de resultados finais antes sequer do início do jogo. Argumentos há muitos e com facilidade se recorre quer aos 40 nos de história quer às lutas mais ou menos recentes dos partidos intervenientes.

Serão profetas ou velhos do Restelo?

A primeira questão que coloco é: É mais natural uma coligação entre o PS e o BE ou entre o PS e o CDS? O CDS nem sequer é da mesma família política, no entanto a 23 de Janeiro de 1978 entrou em funções um Governo entre um partido de centro-esquerda (PS de Mário Soares) e um partido de direita (CDS de Freitas do Amaral). Na altura contou com Basílio Horta como ministro pelo CDS e poderá agora voltar às funções pelo PS abdicando, se assim for, também ele a presidência da Camara Municipal de Sintra.

Toda a direita, desde Cavaco aos ex-Governo alega que é preciso estabilidade para uma recuperação (?!?) económica e um cumprimento dos tratados internacionais. A estabilidade, o défice e os tratados parecem ser a santíssima trindade da direita portuguesa.

Mas…

Em 2011 Passos Coelho vence as eleições não pelo seu mérito mas pelo demérito de José Sócrates sobretudo na escolha do seu Ministro das Finanças. Ainda assim era frequente as pessoas falarem “pois… temos de ter austeridade se vivemos acima das possibilidades…”

Mas um ano depois, em Setembro Passos Coelho anuncia a transferência da TSU dos empregadores para os trabalhadores.

O povo sai à tua em protesto enquanto Paulo Portas veraneava na América do Sul. A Bolsa caiu, as taxas subiram e a Moodys opinou. O Governo esteve para cair numa guerra entre PSD e CDS mas depois do Master Excel abdicar das medidas referentes à TSU as coisas acalmaram quer dentro quer fora do Governo. Certo é que a estabilidade estava assente em pés de barro…

Um ano depois a crise volta a instalar-se no Governo. Paulo Portas demite-se na sua para sempre lembrada peculiar e muito própria definição de “decisão irrevogável”. Demite-se por SMS e as bolsas caiem a pique, as taxas de juro sobem e as atenções da Europa viram-se para Portugal. Na sua sede de poder Paulo Portas abdica da demissão e em troca sobe a vice-Primeiro-Ministro não deixando de lembrar que “uma coligação não é uma fusão”.

A verdade é que esta coligação sobreviveu toda a legislatura apesar de toda a contestação.

Hoje querem dar a entender que tudo foi um mar de rosas e que a esquerda não consegue fazer o mesmo. Podem comentar como entenderem mas não lhes reconheço virtudes de videntes, tarologos ou astrólogos. Nostredamus não deixou nada escrito sobre Governos portugueses. Verdade é que António Costa já experimentou este tipo de negociações na CML com sucesso.

Não tenho a certeza se o próximo Governo conseguirá atravessar todas as provações que terão de enfrentar em todos os processos negociais mas tenho a certeza que não teremos um Governo do PaF e que foram demitidos pelo parlamento porque o povo, ali representado, assim o decidiu.

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