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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

Energia - Negócios da China.

 

 

Esta semana tem sido estranha no que toca às energias e mais estranho é o facto de pouca gente na verdade se preocupar

No inicio da semana o Secretário de Estado da Energia pediu uma investigação à reguladora para apurar o aumento do custo energético.

Logo após esta noticia aparecem outras que começam a dar indícios de justificações.

A primeira justificação aparece dia 8 no Expresso onde o titulo nos diz que “Elétricas obrigadas a investir €800 milhões para evitar apagões em Portugal”.

O que este artigo nos vem dizer é que foram feitos os agora afamados testes de stress e que existe a possibilidade de não existir capacidade de resposta lá para 2030. Diz ainda, e bem, que se deve decidir antes do problema surgir de modo a anula-lo ou minimiza-lo tanto quanto possível.

Mas mais para a frente percebe-se que o que se pertente é manter em funcionamento centrais térmicas altamente poluentes como é o caso de Sines que ainda funciona a carvão. Segundo a EDP são muito eficientes, mas a comprar com o quê? A verdade é que a central de Sines está no Top europeu das mais poluentes e já devia estar encerrada há muito. Elevar a fasquia da necessidade só serve para alongar o tempo de vida desta central, um pouco como se está a fazer com Almaraz sendo que os riscos e poluição são diferentes, mas que o principio é o mesmo: manter o investimento a gerar rendimento o máximo de tempo possível.

Mas este tipo de justificação acaba por ser estranho porque logo depois sai nova justificação: A construção de três novas barragens no Tâmega.

Segundo os promotores esta obra representa uma potencia instalada equivalente a 6% do consumo energético atual.

Os promotores onde incluo o Governo começam logo por destacar as vantagens e dizendo que esta obra vai com 7 de 15 anos de construção, portanto, vejam-se as vantagens e ignorem-se os defeitos.

Esta previsto finalizar esta obra em 2023 o que já entra em conflito com a justificação anterior. Ora se esta está em andamento, porque é que é preciso investir mais 800M €?

Ora o GEOTA diz que não é bem assim e com sua licença, vou colar aqui o que nos interessa ler sobre o tema:

“Autoriza-se o avanço das barragens do Sistema do Electroprodutor do Tâmega (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) com o argumento de que as obras já começaram. É falso [ver “Ponto de situação | fevereiro 2015 vs. fevereiro 2016”]. Não há obras significativas nem qualquer intervenção nos cursos de água (Tâmega e Torno/Louredo). Em Daivões e Alto Tâmega a montagem de estaleiros e abertura/melhoramento de acessos começou a ser feita apenas em janeiro de 2016, já depois de o Governo ter anunciado que a reavaliação do PNBEPH abrangeria apenas as obras que não se tinham iniciado…

- A avaliação desenvolvida confirma a inutilidade das novas barragens que, no seu conjunto, representarão apenas 0,5% da energia do País (3% da eletricidade). As barragens permitidas por esta avaliação, Foz Tua, Fridão e Sistema Electroprodutor do Tâmega (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) produziriam apenas 0,4% da energia do País (2% da eletricidade);

- Foram anunciados os custos da denúncia dos contratos de Fridão (EDP) e Sistema do Electroprodutor do Tâmega (Iberdrola), mas não foram avaliados os custos para o País e os cidadãos-consumidores. Estimamos esses valores como sendo pelo menos 30 vezes superiores aos da paragem dos projetos. Com esta decisão, o Governo autoriza a EDP e a Iberdrola a tirar às famílias portuguesas 10 400 M€, ou seja, triplica a dívida tarifária e impõe um encargo de 2 600 € a cada família, equivalente a um acréscimo médio na fatura elétrica de 5%;

- Não foram avaliados os impactes cumulativos de todas estas barragens: na degradação da qualidade da água, nos obstáculos à conetividade dos ecossistemas, na erosão costeira, no microclima que afetará a produção de vinho. A destruição que as novas barragens vão causar à fauna, flora e vegetação do Vale do Tâmega têm sido simplesmente ignoradas: muitas das espécies identificadas nos Estudos de Impacte Ambiental são protegidas ao abrigo da Diretiva Habitats, da Convenção de Berna, Diretiva Aves e são consideradas “Vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal;”

O GEOTA atempadamente avisou-nos do aumento da fatura, do impacto ambiental e da inutilidade real desta empreitada com custos ao contribuinte. Dizia ontem o representante do GEOTA que nos últimos anos devido à crise e ao aumento da eficiência energética o consumo tem caído pelo que não se justifica o aumento de potencia instalado já que não se prevê um aumento significativo do consumo. (Devo confessar que nesta ultima parte, sobre o aumento do consumo, discordo).

O que me inquieta vai mais alem.

Estas noticias referem-se a Portugal, um país mediterrânico em que 90% dos dias faz sol, sol esse que nunca nos envia faturas pelo seu uso e nem sequer está sujeito às nossas alterações climáticas. Questiono-me qual o motivo de não apostarmos fortemente na energia solar já que é o nosso maior recurso e estamos preocupados em investir em centrais térmicas obsoletas, em hídricas com pouca expressão produtiva face ao impacto ambiente e económico que causa e incluo neste campo a prospeção de hidrocarbonetos nas nossas costas, algo que podemos considerar a energia do passado.

 

As energias como é tradição fazem parte dos packs de enriquecimento de construtoras e grandes grupos económicos. Não é a necessidade ou a projeção no futuro que os move. Não é esta obra publica que irá resolver os problemas do país nem a hipotética potencia instalada.

Isto é negociata que tentam justificar com o injustificável. O país não precisa de mais betão nem poluição. Precisa é de pensar e olhar pelos olhos de quem vislumbra o futuro.

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